Aguarde, carregando...

Domingo, 27 de Setembro 2026
MENU
Saúde

Câncer de suprarrenal: entenda tumor raro em jovem que morreu 10 horas antes da mãe no interior de SP

Tumor que começa nas glândulas localizadas acima dos rins registra apenas um a dois casos por ano a cada 1 milhão de habitantes; veja quais são os sintomas, diagnóstico e tratamento.

Câncer de suprarrenal: entenda tumor raro em jovem que morreu 10 horas antes da mãe no interior de SP
A-
A+
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

O câncer na glândula suprarrenal que acometeu a empresária Cibele Marchis, de 28 anos, morta 10 horas antes da mãe em Mogi Guaçu (SP), é uma doença considerada extremamente rara. De acordo com o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição, o surgimento de tumores nesse órgão registra apenas de um a dois casos por ano a cada 1 milhão de habitantes.

Em entrevista ao g1, o médico do Vera Cruz Hospital explicou o comportamento, os sintomas e o tratamento da neoplasia maligna suprarrenal metastática. Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira (24) e a mãe, Maria Elisabete, às 1h58 da madrugada de sexta (25) em outro hospital, também em decorrência de um câncer.

As glândulas suprarrenais, também conhecidas como adrenais, localizam-se acima de cada um dos rins. Elas são responsáveis pela produção de hormônios essenciais para o funcionamento do corpo humano (entenda abaixo).

Publicidade

Leia Também:

Segundo o oncologista, a maioria dos tumores identificados na suprarrenal são, na verdade, metástases de outros cânceres, como de mama, pulmão ou melanoma. O caso de Cibele, contudo, foi um tumor primário, que se originou na própria glândula e depois se espalhou.

O que é o câncer de suprarrenal?

As suprarrenais, também chamadas de adrenais, são duas pequenas glândulas que ficam acima dos rins. Elas produzem hormônios importantes para o funcionamento do organismo.

A glândula tem duas partes diferentes, e o câncer pode começar em células de qualquer uma delas. Por isso, não existe apenas um tipo de câncer de suprarrenal.

Segundo o oncologista, esses tumores também podem ou não produzir hormônios. Isso significa que o tratamento e a evolução da doença podem ser diferentes de acordo com o tipo de tumor.

Em resumo até aqui:

  • Suprarrenais ou adrenais: são as glândulas que ficam acima dos rins.
  • Tumor primário: é aquele que começa na própria suprarrenal.
  • Câncer de suprarrenal: não é uma única doença. Existem diferentes tipos de tumores que podem começar nessa glândula.

Câncer suprarrenal é raro e pode surgir em diferentes idades

Os tumores que começam na própria suprarrenal são raros. Segundo o oncologista, são registrados cerca de um a dois casos por ano para cada milhão de habitantes. Além disso, a doença pode aparecer em diferentes idades. Há casos em pessoas jovens e também em pacientes mais velhos.

O médico explica que alguns casos estão relacionados a alterações genéticas. Uma delas envolve o gene TP53. Quando essa alteração está presente, o tumor pode aparecer mais cedo, inclusive entre o fim da infância e o começo da adolescência.

Sem essa alteração, a doença também pode surgir em diferentes idades, inclusive em adultos jovens.

O que significa dizer que o câncer é metastático?

No caso de Cibele, o câncer começou na suprarrenal e se espalhou para outras partes do corpo. Esse espalhamento é chamado de metástase. Segundo Vinícius, os locais mais comuns para onde esse tipo de tumor pode se espalhar são:

  • pulmões
  • fígado
  • ossos
  • rins

Mesmo quando o câncer se espalha, existem tratamentos que podem ajudar a controlar a doença. Nessa situação, o objetivo deixa de ser eliminar completamente o câncer e passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível, aumentando a expectativa e qualidade de vida.

A evolução varia de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e a resposta ao tratamento. Segundo o oncologista, alguns pacientes conseguem manter uma boa qualidade de vida durante o tratamento. À medida que a doença avança, porém, essa qualidade de vida pode diminuir.

Quais são os sintomas?

Os sintomas que levam ao diagnóstico podem variar. Um fator que pode influenciar isso é se o tumor produz hormônios ou não. Segundo o médico, entre 50% e 60% dos tumores de suprarrenal produzem.

Quando isso acontece, os sinais podem aparecer por causa do excesso dessas substâncias no organismo. Dessa forma, entre os possíveis sinais estão:

  • excesso de cortisol: retenção de líquido, inchaço e rosto mais arredondado;
  • aumento de andrógenos como a testosterona: aumento de pelos e outros sinais de virilização;
  • alteração na produção de hormônios ligada ao feocromocitoma: pressão alta, vermelhidão e alterações nos batimentos do coração.

Esses sintomas, porém, não significam necessariamente que a pessoa tenha câncer. Pressão alta, alterações hormonais e outros sinais como esses podem ter várias causas não oncológicas.

Como o câncer é descoberto?

A investigação pode começar quando o paciente apresenta sintomas relacionados à produção de hormônios ou quando um exame de imagem encontra uma alteração na região da suprarrenal. Os médicos podem pedir:

  • exames de sangue;
  • exames de urina para medir hormônios;
  • exames de imagem, como ultrassom e tomografia;
  • exames para verificar se o câncer se espalhou para outras partes do corpo.

A biópsia, que é a retirada de um pequeno pedaço do tumor para análise, nem sempre é feita diretamente na suprarrenal.

Vinícius diz que esse procedimento pode trazer complicações e, em alguns casos, não consegue dizer com segurança se a alteração é benigna ou maligna.

Por isso, dependendo do caso, pode ser necessária uma cirurgia para retirada total da lesão. Depois, a análise do material ajuda a identificar melhor o tipo de tumor.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende principalmente do tipo de tumor e de até onde a doença se espalhou. Quando o câncer está somente na suprarrenal, a cirurgia para retirar o tumor pode ser feita com o objetivo de curar o paciente.

Dependendo do tipo e das características da doença, também pode ser indicada quimioterapia. Quando o câncer já se espalhou para outros órgãos, o objetivo do tratamento muda, como detalha o médico.

“Quando você tem metástase, que aí não tem cura, o tratamento tem dois objetivos: é aumentar a expectativa de vida desse paciente e dar qualidade de vida.”

O médico cita o mitotano como o principal medicamento usado especificamente contra tumores de suprarrenal. Dependendo do caso, também podem ser utilizadas imunoterapia e terapia-alvo, embora, segundo o especialista, essas opções tenham benefício menor nesse tipo de tumor.

Câncer de suprarrenal é sempre grave?

Não necessariamente. A evolução depende do tipo de tumor e de quando a doença é descoberta. Se o câncer estiver restrito à suprarrenal, existe a possibilidade de retirar o tumor por meio de cirurgia. Segundo Vinícius, uma boa parte desses pacientes pode ser curada e voltar a ter uma vida normal.

Quando já existem metástases, o tratamento passa a ter como objetivos controlar a doença.

Também não é possível falar sobre a evolução de todos os casos de câncer de suprarrenal da mesma maneira. Isso porque existem diferentes tipos de tumores que podem surgir nessa glândula, e cada um pode ter tratamento e evolução diferentes.

Cibele enfrentava a doença desde 2023

A família conta que Cibele percebeu os primeiros sintomas em dezembro de 2023 e passou pela primeira cirurgia em agosto de 2024. No tratamento, fez outras operações, quimioterapia e usou medicamentos. Em dezembro de 2025, teve infecções relacionadas às cirurgias.

A família chegou a ser chamada ao hospital diante da gravidade do quadro. Depois, ela recebeu alta e conseguiu viajar para a praia, mesmo convivendo com as consequências do tratamento, entre elas uma traqueostomia e uma bolsa de colostomia.

Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) — Foto: Arquivo pessoal

A mãe Maria Elisabete, de 56 anos, foi surpreendida por um câncer agressivo no pâncreas tempos depois. Diferentemente da filha, o quadro dela se deteriorou rapidamente, e por conta das fortes dores necessitava de morfina. Estava internada desde quinta-feira (17) e chegou a ser visitada por Cibele.

"Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu. Uma não ficou sabendo da morte da outra. É realmente uma coisa espantosa", disse Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele.

Segundo parentes, a família estava velando o corpo da jovem quando, às 1h58 da madrugada desta sexta-feira (25), recebeu a notícia do falecimento de Maria Elisabete. Mãe e filha foram veladas juntas pela manhã e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR