O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7), em Washington. Os dois devem discutir temas econômicos e de segurança, segundo fontes dos governos brasileiro e norte-americano.
▶️ Contexto: Esta será a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU.
- Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi "amistosa".
- Nesta quinta-feira, Lula será recebido por Trump na Casa Branca por volta das 11h (12h, em Brasília).
- Em seguida, os dois farão declarações à imprensa por cerca de 30 minutos no Salão Oval, segundo agenda divulgada pelo governo norte-americano.
- Depois, os presidentes participarão de um almoço, no qual devem discutir temas de interesse dos dois países.
Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro será uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
1. Combate ao crime organizado
O governo dos Estados Unidos está analisando uma possível medida para classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
Fontes ligadas ao governo Trump que atuam no Brasil afirmam que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defende que facções brasileiras também sejam classificadas como terroristas, como já ocorreu com grupos do México e da Venezuela.
O tema já foi discutido por autoridades norte-americanas e brasileiras em reuniões anteriores e deve voltar ao foco no encontro entre Trump e Lula nesta quinta-feira.
Uma apuração do jornalista Gerson Camarotti, publicada pelo g1, aponta que Lula pretende convencer Trump a não tratar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Segundo auxiliares, o petista quer deixar claro que o Brasil trata o crime organizado como prioridade e aposta na cooperação bilateral como caminho para enfrentar o problema.
- A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos.
- Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.
2. PIX
Atualmente, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) conduz uma investigação contra o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados.
Segundo o governo norte-americano, o sistema brasileiro é visto como uma ameaça a empresas dos EUA, por criar desvantagens para serviços de pagamentos eletrônicos, como cartões de crédito.
O Brasil já informou às autoridades americanas, no âmbito das investigações, que o PIX não discrimina empresas dos Estados Unidos e destacou que até gigantes de tecnologia, como o Google, já utilizam a ferramenta.
- O tema tem sido usado pelo governo como símbolo de defesa da soberania nacional.
- Em um evento em abril, Lula disse que o "PIX é do Brasil" e criticou a investigação conduzida pelos Estados Unidos.
- O governo brasileiro deve aproveitar a reunião para tentar convencer Trump a não adotar medidas contra o país por causa do PIX.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, em entrevista à GloboNews, que vê o encontro como uma oportunidade para esclarecer o funcionamento do PIX e buscar um “bom entendimento” entre os dois países.
3. Geopolítica e conflitos globais
Lula e Trump têm adotado posições divergentes sobre conflitos globais. O Brasil, por exemplo, condenou ataques realizados pelos Estados Unidos à Venezuela e, mais recentemente, ao Irã.
- Em abril, em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente brasileiro criticou Trump e disse que o norte-americano não pode "ameaçar outros países com guerra o tempo todo".
- Além disso, Lula repetiu uma declaração feita em 2025, após o tarifaço, ao afirmar que Trump não foi eleito "imperador do mundo"
- Lula também tem defendido o fortalecimento da ONU, em vez de posturas unilaterais.
- O presidente foi convidado a integrar o Conselho da Paz criado por Trump, mas ainda não aceitou. Em janeiro, em conversa telefônica com Trump, Lula propôs mudanças no grupo.
A situação de Cuba, com os Estados Unidos pressionando e ameaçando o regime de Havana, também pode ser discutida. O Brasil vê com preocupação a situação humanitária da ilha, que piorou após o governo norte-americano adotar medidas para restringir o envio de petróleo ao país.
4. Terras raras
A exploração de minerais críticos e terras raras deve entrar na pauta da reunião. O Brasil tem uma das maiores reservas no mundo e vê esses recursos como estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e o avanço da inteligência artificial.
- O governo brasileiro defende que esses recursos sejam explorados sob controle nacional, com parcerias que garantam transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria.
- O Brasil já sinalizou que não pretende aderir a uma aliança proposta pelos EUA para o setor e deve priorizar acordos bilaterais com diferentes países.
- A avaliação é que os norte-americanos buscam influenciar as regras do comércio global desses minerais, hoje concentrados principalmente na China.
Também pode entrar na conversa um acordo firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para exploração desses minerais, que gerou reação do governo federal.
5. Eleições
Segundo o blog da Andreia Sadi, Lula vai tentar transformar o encontro em um ativo político. O presidente busca um compromisso do governo Trump de que não haverá interferência dos EUA nas eleições de outubro.
Fontes do governo ouvidas pela jornalista afirmaram haver preocupação de que o Departamento de Estado, visto como mais ideológico e com interlocução com bolsonaristas, adote medidas que possam prejudicar Lula.
Um ataque direto de Trump não está no radar, mas o presidente brasileiro quer um compromisso informal de não interferência e de ausência de apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
- Além disso, ainda segundo o blog da Sadi, o encontro permitirá que Lula explore a imagem de liderança internacional.
- A reunião pode funcionar como demonstração de força em um momento de desgaste interno.
- A ideia é virar a página da derrota no Senado na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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