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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz e uma ampla análise sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings, que era a dona da conta que tinha o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cadastrado “como usuário master”.
A decisão foi tomada dentro do inquérito que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Willer e Flavio Bolsonaro. A partir dos dados da nuvem de Willer, a PF encontrou um email que mostra Flávio cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária conjunta com Tomaz.
Flávio e Willer Tomaz são amigos, mas negam ter negócios juntos.
A conta em questão no Santander estava em nome da Alcazar Holdings e era administrada por Tomaz. A PF menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio, pagamentos de viagens ao parlamentar.
A PF afirmou ao STF que esse “perfil de usuário master” é um condição que, em princípio, conferia elevado nível de acesso e de gerenciamento da conta, situação que teria perdurado, ao menos sob a perspectiva operacional, até 22/05/2025, foi nessa época que foi solicitada a exclusão do acesso por correio eletrônico.
Moraes determinou as quebras dos sigilos bancários, fiscal e cambial do advogado e das empresas ALCAZAR BRASIL LTDA, ALCAZAR HOLDINGS UNIPESSOAL, ALCAZAR GLOBAL HOLDINGS, CATEDRAL - HOLDINGS SGPS.
Foi determinado ainda o cancelamento dos passaportes do investigado, inclusive um diplomático e a suspensão de atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.
O STF também determinou que bancos e instituições financeiras enviem, no prazo de 24 horas, todos as informações referentes as contas bancárias das empresas, inclusive os anteriores e atuais co-titulares, em especial das empresas ALCAZAR HOLDING LTDA, ALCAZAR HOLDINGS UNIPESSOAL e ALCAZAR GLOBAL HOLDINGS.
As medidas foram tomadas porque os investigadores identificaram que Willer deixou o Brasil em agosto aposto ser alvo da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em benefícios do INSS.
A saída foi apontada como risco de destruição de provas necessárias à investigação, principalmente de fundos e empresas constituídas no exterior.
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que as medidas tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes são "desproporcionais" e que a suspensão de todas as suas empresas "impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação".
"A investigação nasceu da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, com as quais Willer não tem qualquer relação. Sem encontrar nada que o ligasse ao esquema, passou a vasculhar indiscriminadamente sua vida pessoal e profissional em busca de qualquer pretexto para a devassa"
"É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria "usuário master" de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro", afirma a defesa.
'Usuário Master'
O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária pertencente a uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A informação está em troca de emails localizada pela Polícia Federal (PF).
Para a PF, o cadastro dava a Flávio "acesso operacional relevante" à conta bancária e "sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa".
A PF descobriu indícios de que eles dividiram a conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz, ao encontrar e-mails trocados entre uma secretária do advogado e uma funcionária do banco Santander.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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