As urnas abriram neste domingo na Colômbia para o segundo turno das eleições presidenciais, em uma disputa que se tornou uma "queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o norte-americano Donald Trump. O resultado pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina.
Em desafio a Petro, Trump entrou em campanha aberta, como tem feito em pleitos da região desde que voltou à Casa Branca, e declarou apoio a Abelardo de la Espriella.
Candidato da extrema direita, Espriella venceu o primeiro turno e enfrentará agora Iván Cepeda, o esquerdista apoiado por Gustavo Petro e visto como a continuidade de seu governo — a Constituição colombiana proíbe a reeleição, e Petro, que governa desde 2022, terá de deixar o poder.
O páreo é apontado pela imprensa colombiana como o mais antagônico da história recente do país:
- Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, se apresenta como um "salvador anti-estabilishment" e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Ele também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado;
- Já Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do atual governo, fator-chave para alçá-lo como favorito nas primeiras pesquisas de intenção de voto. No entanto, o candidato de Petro também herdou o desgaste da gestão de Petro por dificuldades no combate ao crime organizado.
Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno das eleições. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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