Antes de participar da briga generalizada durante manifestação de estudantes no Centro da capital, Rubinho Nunes (União) produziu conteúdo para redes sociais em que aparece provocando os manifestantes.
"Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade", disse Rubinho em uma das gravações.
Ele também aparece questionando um funcionário da USP que participava da manifestação: "Você devia ter vergonha".
Em gravações, o vereador aparece dando chutes e levando socos dos participantes do ato. Ele afirmou ter fraturado o nariz.
Parlamentares da oposição dizem que ele foi até o ato apenas para provocar os manifestantes e se promover nas redes. Procurado pela reportagem, Rubinho ainda não se manifestou sobre as críticas.
Alunos e profissionais da USP, Unesp e Unicamp pedem melhorias nas universidades públicas paulistas. Os estudantes reivindicam avanços nas políticas de permanência estudantil, como aumento das bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
O ato também criticava a atuação da Polícia Militar na desocupação da Reitoria da USP, ocorrida na madrugada de domingo (10), sem conhecimento da direção da universidade.
Reação da oposição
Parlamentares da oposição reagiram às declarações do vereador, pré-candidato declarado a deputado federal. Segundo eles, Rubinho comparece às manifestações apenas para provocar movimentos sociais que têm reivindicações legítimas e lutam por melhorias na sociedade.
Segundo ela, "é completamente inaceitável que políticos ao invés de estarem trabalhando para resolver os problemas do povo e da cidade estão arrumando confusão, baderna e violência'.
A vereadora Luana Alves afirmou que pretende ingressar com uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal em razão das provocações feitas pelo parlamentar contra os estudantes.
“Eu acho isso uma vergonha. O vereador Rubinho, assim como o Lucas Pavanato, às vezes vai à USP fazer a mesma coisa. Gente que ganha mais de R$ 20 mil por mês para fazer cortes para a internet e provocar estudantes. É extremamente vergonhoso, inclusive para a Câmara Municipal. Eu, inclusive, pretendo acionar a Corregedoria, porque é algo inadmissível”, afirmou.
“Eles vão para provocar estudantes, muitos deles menores de idade, que estão fazendo uma experiência de luta muito valorosa e enfrentando repressão da Polícia Militar porque querem um aumento de menos de R$ 100 na bolsa para conseguirem permanecer na universidade”, declarou.
A deputada estadual Ediane Maria (PSOL), ligada ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de São Paulo (MTST), também criticou o parlamentar.
“Rubinho Nunes é um baderneiro. Assim como muitos políticos da direita, como o infeliz do Adrilles Jorge, ele não quer solução para o que está acontecendo na USP. Não quer apurar por que a PM invadiu a reitoria da universidade de madrugada para descer o cassetete nos estudantes. O negócio dele é provocar e arranjar briga para se fazer de coitado”, afirmou a deputada da Alesp.
“É o tipo de vereador que não faz nada pela cidade. Estou para ver eles visitarem um hospital, uma escola, fiscalizarem contratos da prefeitura. Nada disso. Vivem de polêmica, vivem de vídeos para tentar ganhar visualização. Trabalhar pela cidade mesmo, eu nunca vi”, declarou Luana Alves.
Confusão em ato
Em greve, alunos e profissionais da USP, da Unesp e da Unicamp protestaram na tarde desta segunda-feira (11) em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, na República, Centro de São Paulo. A Polícia Militar utilizou bomba de gás para dispersar os manifestantes.
Pelas imagens, é possível ver Rubinho dando chutes e levando socos. O vereador informou que foi ao hospital e que tem suspeita de fratura no nariz. Já Adrilles tomou um chute na região da barriga. Ao g1, ele disse que levou dois chutes, mas que "está bem" fisicamente
Os vereadores do União Brasil Rubinho Nunes e Adrilles Jorge compareceram ao ato e discutiram com os estudantes.
Por volta das 14h30, os estudantes se concentraram em frente ao prédio da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e fizeram um cordão humano em uma rua no entorno da Praça da República.
"Hipocrisia! Educação não é caso de polícia", gritavam os grevistas.
Alunos das três universidades estão em greve por melhorias na permanência estudantil e na estrutura das universidades.
O protesto interditou também trechos da Rua da Consolação no sentido da Avenida Paulista.
O ato cobra a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado. Os estudantes exigem melhoria nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e, por meio de nota, a pasta afirmou que "houve uma briga generalizada no local e a confusão foi contida pela PM".
"A Polícia Militar foi acionada na tarde desta segunda-feira (11) para atender a uma ocorrência de manifestação na Praça da República, na região central da capital paulista. De acordo com as informações, houve uma briga generalizada no local. A confusão foi contida pela PM. Não há informação sobre feridos. Neste momento, a manifestação segue pacífica", disse.
Ocupação da reitoria
Na madrugada de domingo (10), a Polícia Militar retirou estudantes de uma ocupação na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste de SP.
Segundo relatos de alunos, os agentes usaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a operação surpresa e sem aviso prévio.
Vídeos gravados pelos estudantes mostram os policiais agredindo o grupo com os cassetetes (veja abaixo).
De acordo com a assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, diversos estudantes ficaram feridos durante a ação policial.
Ainda segundo o órgão, quatro alunos foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana, Zona Oeste da capital paulista.
Reitoria da USP disse, por meio de nota, que a desocupação aconteceu sem comunicação prévia à entidade e que lamenta os episódios de violência ocorridos durante a ação da PM.
"A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário", declarou (leia a íntegra do comunicado abaixo).
O que diz a Polícia Militar
Por meio de nota, PM afirmou que 150 pessoas foram tiradas da reitoria e que a ação não teve feridos e foi gravada por câmeras operacionais portáteis dos policiais.
Segundo a polícia, “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
“Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada.
No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”, disse a corporação.
“A Polícia Militar afirmou que os quatro estudantes detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas. A Polícia Militar ressalta que O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, afirmou.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o DCE -USP disse que os PMs formaram "um corredor polonês para espancamento e quatro estudantes detidos".
"Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais", afirmou o DCE.
"A ocupação já passava de 60 horas, não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial. Ainda no rol das ilegalidades, não há qualquer informação sobre a motivação real para a detenção de quatro estudantes, ou mesmo, quais condutas lhes foram imputados para que ensejasse o encaminhamento destes estudantes à 7ª DP", disse o órgão.
O que diz a USP
Íntegra da nota da Universidade de São Paulo:
"A Universidade de São Paulo (USP) lamenta os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria, ocorrido na manhã deste domingo, dia 10 de maio.
Cumprindo seu dever de ofício de proteção da integridade física dos docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e terceirizados, bem como dos espaços físicos, a Reitoria informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais.
Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar. Segundo nota oficial da SSP, “a Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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