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O mercado de implantes hormonais se transformou em um negócio gigante no país. Usando uma brecha regulatória, a base da engrenagem são médicos que implantam, treinam outros profissionais e vendem o produto — faturando de ponta a ponta. Para eles, o implante é vendido pela farmácia de manipulação por cerca de R$ 200 e oferecido às pacientes por valores que partem de R$ 4 mil e podem chegar a R$ 12 mil.
Atualmente, a Anvisa proíbe implantes com hormônios anabolizantes como gestrinona, oxandrolona e testosterona para fins estéticos. O que acontece é que, para seguir no mercado, esses médicos passaram a vender os dispositivos como tratamento para várias doenças como endometriose, Síndrome do Ovário Policístico (SOP), lipedema e até sintomas da menopausa. Porém, em nenhuma delas há evidência de que funcionem. É nessa brecha que o sistema se sustenta.
O g1 teve acesso a notas fiscais, processos judiciais, ações do Ministério Público e relatos de vítimas que revelam como o esquema funciona. Os documentos mostram compras de lotes de centenas de implantes padronizados — prática proibida para farmácias de manipulação — e pacientes que não sabiam que tiveram hormônios anabolizantes introduzidos em seus corpos.
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Diante desse cenário, o Conselho Federal de Medicina avalia que há indícios de irregularidades nesse tipo de prática. O Conselho ainda reforça que o uso desses implantes fora de indicações médicas pode expor pacientes a riscos e escapar dos parâmetros éticos da profissão.
Não existem dados oficiais sobre os implantes hormonais — eles não são rastreáveis. O mercado de farmácias de manipulação, onde esses dispositivos são feitos, faturou R$ 11,3 bilhões entre 2019 e 2023 com suas produções, inclusive com os dispositivos. O que especialistas ouvidos pela reportagem dizem é que esse montante foi puxado pelos implantes.
Não há qualquer outro dado público que sirva como base para entender a real dimensão do mercado de implantes – e isso é também parte da estratégia. Os produtos não são vendidos em farmácias comuns, não aparecem nas bases de medicamentos industrializados e circulam por uma cadeia própria.
A brecha regulatória em que se baseia um mercado bilionário
O país tem uma brecha regulatória. Historicamente, o silêncio normativo permite que farmácias manipulem os chamados "pellets subcutâneos": nome técnico dado aos implantes, que são pequenos cilindros sólidos desenhados para liberar hormônios de variados tipos após introdução no corpo. Com a manipulação nas farmácias liberada, houve um boom desse mercado.
A reação foi imediata. Farmácias, clínicas e médicos entraram com dezenas de recursos administrativos, reunidos em um único processo na agência.
Pouco mais de um mês depois, em novembro, a Anvisa voltou atrás e revogou a proibição total estabelecendo uma nova regra. Ela manteve a vedação para o uso de hormônios anabolizantes com fins estéticos, de ganho muscular ou desempenho esportivo, mas permitiu a manipulação em condições mais restritas para outros usos terapêuticos.
➡️ A mudança abriu espaço para um reposicionamento do mercado. Sem poder anunciar os implantes como solução estética, clínicas e médicos passaram a apresentar os pellets como tratamento para condições médicas — como síndrome dos ovários policísticos, endometriose, lipedema e sintomas da menopausa — apesar da falta de evidência robusta para essas indicações nessa forma de uso.
🔴 E, até hoje, atuam sobre uma outra brecha regulatória: a regra da manipulação de medicamentos permite que, se um ingrediente farmacêutico ativo for aprovado pela Anvisa, a qualquer tempo, ele pode ser manipulado. A legislação, porém, não especifica a via de administração. Na prática, isso abre espaço para distorções.
Além dos hormônios com apelo anabolizante, os implantes também são vendidos com outras substâncias, como ocitocina e metformina.
- A ocitocina aparece em relatos de eventos graves após o uso em implantes, com internação de pacientes.
- Já a metformina, medicamento usado no tratamento do diabetes, tem sido oferecida em pellets com promessa de emagrecimento ou “destravamento do metabolismo”.
Não há comprovação científica de que funcionem para esses fins, nem mesmo nessa via de administração.
Produção em larga escala
Pela lei, a farmácia de manipulação só pode produzir esses implantes por encomenda, de forma individual. No entanto, o que o g1 encontrou são indícios de uma produção em escala industrial.
Registros da Elmeco, uma das maiores farmácias de manipulação do país, mostram pedidos que envolvem 400 implantes padronizados de hormônios como gestrinona e testosterona – o que é irregular.
O Ministério Público da Bahia pediu em novembro do ano passado que a Justiça interditasse a empresa por irregularidades como “manipulação e comercialização de medicamentos controlados sem a necessária prescrição médica” – o que é um indício de produção em larga escala.
O g1 perguntou à Anvisa se houve alguma fiscalização posterior ou sanção à empresa, mas não teve retorno.
Procurada, a Elmeco afirma que atua “em estrita conformidade com as normas sanitárias vigentes” e que a manipulação de medicamentos é feita de forma individualizada, sob prescrição específica. A empresa também declara que "preza pela rastreabilidade e segurança dos pacientes e que apoia o aperfeiçoamento das regras do setor."
CFM vê indícios de conflito de interesse em modelo
Os dados obtidos pelo g1 indicam uma estrutura sustentada por três eixos: médicos que prescrevem implantes, cursos que ensinam como aplicar e farmácias de manipulação que aparecem como fornecedoras ou parceiras nesse circuito.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), desde 2024 não é proibido que médicos sejam sócios de empresas. No entanto, em entrevista ao g1, o representante do CFM Bruno Leandro de Souza é enfático ao dizer que essa triangulação é uma infração à ética médica, embora tenha decidido não comentar os casos trazidos pela reportagem.
Como o esquema funciona que une prescrição, cursos e venda?
A lógica desse mercado veio a público recentemente no caso da Unikka, farmácia investigada pela Polícia Federal (PF) por manipular canetas de tirzepatida — a mesma substância do Mounjaro. Segundo a investigação, o médico Gabriel Almeida oferecia cursos para ensinar outros médicos a lucrar com a tirzepatida manipulada, vendida diretamente nos consultórios.
Gabriel é apontado pela Polícia Federal como sócio oculto da Unikka, que também era apresentada aos alunos como farmácia parceira. Segundo a investigação, o mesmo profissional atuava em diferentes frentes do negócio: vendia cursos, prescrevia os produtos aos próprios pacientes e tinha participação na farmácia fornecedora.
Embora a apuração da PF trate das canetas emagrecedoras, a Unikka também atua no mercado de implantes hormonais. Gabriel também oferecia cursos sobre esses implantes, que também fazem parte do portfólio da farmácia.
O g1 conversou com duas pacientes do médico que fizeram implantes anabolizantes, tiveram complicações graves e alegam que não foram alertadas de que estavam recebendo esteróides e nem mesmo foram assistidas pelo médico após as internações.
A produção da farmácia foi suspensa após a operação da Polícia Federal, em novembro de 2025. Segundo a Anvisa, a Unikka já voltou a funcionar, mas a manipulação de hormônios permanece suspensa.
O g1 procurou a Unikka Pharma. A empresa afirma não atua com implantes hormonais, nega irregularidades na manipulação de tirzepatida e diz seguir integralmente as normas da Anvisa
A reportagem identificou elementos semelhantes em outro nome de destaque desse mercado: o médico Luiz Paulo Schaefer Pinto. Ele se apresenta como presidente da Sociedade Brasileira de Hormonologia — área que não é reconhecida como especialidade médica pelo CFM.
Luiz Paulo oferece cursos sobre implantes hormonais, alguns realizados em estruturas de grande porte, como estádios de futebol. Os eventos contam com patrocínio da Bio Meds, farmácia de manipulação ligada a uma holding da qual o médico faz parte.
Além de formar novos prescritores, Luiz Paulo também atua na ponta do atendimento: em seu consultório em Curitiba, prescreve implantes hormonais a pacientes, com consultas a partir de R$ 2,5 mil.
A relação entre cursos, prescrição e farmácias de manipulação também aparece na atuação de médicos formados nesses treinamentos.
Um deles é o ginecologista Bruno Jacob, que reúne cerca de meio milhão de seguidores no Instagram e mantém um canal com mais de 2,5 milhões de inscritos no YouTube. Nas redes sociais, ele se apresenta como especialista em implantes hormonais.
foi aluno de Luiz Paulo em um treinamento sobre implantes. Ao analisar publicações do médico, o g1 encontrou vídeos em que ele elogia a Bio Meds e afirma que ativos da empresa são apresentados aos prescritores durante cursos ministrados por Luiz Paulo.
A Bio Meds, farmácia de manipulação ligada à holding da qual Luiz Paulo faz parte, entrou na mira da Anvisa em março de 2026.
Segundo a agência, uma inspeção identificou medicamentos manipulados em grande volume sem pedido médico prévio — prática incompatível com a atividade de uma farmácia de manipulação, que deve preparar fórmulas individualizadas a partir de prescrição específica para cada paciente.
A fiscalização também apontou ausência de testes de controle de matérias-primas e risco de contaminação.
Luiz Paulo já recebeu sanções do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em 2024, teve o registro médico suspenso por 30 dias e ficou impedido de atender. Segundo o conselho, a punição foi por “divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico”.
Não é possível saber se há processos em andamento contra ele no CFM, porque procedimentos ético-profissionais tramitam sob sigilo.
Apesar das punições, Luiz segue fazendo conteúdo sobre em suas redes, onde acumula mais de 200 mil seguidores. O médico, que se formou em 2016 e não fez residência médica, ostenta uma vida de luxo nas redes sociais, incluindo como presente para a esposa um carro importado no valor de R$ 2,2 milhões.
CFM fala em ‘infração ética’
Sem comentar os casos específicos apresentados pela equipe de reportagem, o CFM afirma que relações comerciais entre médicos, cursos e farmácias de manipulação precisam ser apuradas quando há possibilidade de conflito de interesse — especialmente se o médico participa da prescrição e, ao mesmo tempo, se beneficia da venda ou divulgação dos produtos indicados ao paciente.
O conselho também reforça que a prescrição de implantes hormonais com fins estéticos, anabolizantes ou de ganho de massa muscular contraria normas sanitárias e pode configurar infração ética.
Mulheres como alvo desse mercado
Ao longo da apuração, o g1 identificou que as redes sociais são a principal vitrine desse mercado — e que as mulheres aparecem como alvo central.
Em publicações, médicos associam alterações hormonais a uma perda ampla de vitalidade, com promessas de melhora da disposição, do desempenho nos treinos, da libido e até da vida conjugal.
➡️ Um dos temas mais recorrentes é a testosterona. Embora o hormônio esteja presente no organismo feminino, ele existe naturalmente em concentrações muito mais baixas do que nos homens.
Ainda assim, profissionais que se apresentam como “hormonologistas” — especialidade que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) — passaram a tratar esses níveis como explicação para diferentes queixas de saúde e comportamento, mesmo sem respaldo científico para as promessas divulgadas.
A reportagem acompanhou aulas online do médico Lázaro Lourenço, que acumula quase meio milhão de seguidores nas redes sociais e se apresenta como mentor no ramo de implantes hormonais.
➡️ O curso, que custa R$ 996 e é voltado a médicos interessados em prescrever hormônios e implantes, vai além da capacitação técnica: ensina estratégias para atuar nesse mercado de forma lucrativa, com foco em faturamento.
Em uma das aulas, o médico orienta os alunos a transformar inseguranças íntimas das mulheres em argumento de venda. Ele sugere que os profissionais abordem diretamente temas como autoestima, vida sexual e medo de traição.
Em outro trecho, Lourenço recomenda que o médico converse com o parceiro da paciente e diga que a mulher estaria mantendo relações sexuais “por respeito” — e que o implante seria necessário. A orientação é apresentada como uma forma de convencer o marido a pagar pelo “protocolo”.
O uso de inseguranças femininas como estratégia comercial também aparece em publicações de outros médicos. Em um vídeo, o ginecologista Bruno Jacob abre uma caixa de perguntas e responde a uma paciente que questiona se um nível de testosterona de 13, aos 48 anos, seria normal.
Em tom irônico, ele diz: “Tá bom pra você jogar xadrez com seu marido no sábado à noite; tá muito bom pra vocês virarem amigos; tá ótimo pra você, em vez de fazer musculação, fazer um crochê [...] tá ótimo pra você não ter lubrificação nenhuma; orgasmo então… isso aí é maravilhoso.”
“A testosterona na mulher tem que estar em um nível bacana principalmente para a libido e para ganho de massa muscular”, conclui.
Em nota, Lourenço afirma que "os cursos têm caráter técnico-científico e são voltados exclusivamente a médicos, com base em evidências e foco na capacitação para prescrição de reposição hormonal."
O médico diz, ainda, que o implante é apenas uma das vias possíveis de administração — assim como gel ou comprimidos — e que trechos isolados das aulas podem ter sido interpretados fora de contexto. Segundo ele, o conteúdo aborda a comunicação médico-paciente de forma ética, e práticas como venda casada ou indicação sem base clínica são contraorientadas nos cursos.
Mercantilização da medicina’
Consultada pelo g1, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que não há correlação direta entre o nível de testosterona informado pela paciente e a fala do médico sobre lubrificação ou orgasmo.
Para a entidade, esse tipo de abordagem reduz queixas complexas da saúde sexual feminina a um exame isolado e pode induzir pacientes a tratamentos sem indicação comprovada.
Na mesma linha, o conselheiro do CFM Bruno Leandro de Souza afirma, sem comentar casos específicos, que estratégias centradas na venda de procedimentos — sobretudo quando exploram inseguranças dos pacientes — podem caracterizar mercantilização da medicina.
Justiça condena médico a indenizar paciente por complicações do implante
Na Justiça de São Paulo, o g1 identificou o caso de uma paciente que obteve indenizaçãoapós complicações graves associadas ao uso de implantes hormonais.
O processo envolve Ana Karina Porto Oliveira, o ginecologista Bruno Santiago Jacob — aluno de Luiz Paulo em curso de implantes, citado anteriormente nesta reportagem — e a clínica DBJ Saúde da Mulher Ltda., em São Paulo.
Segundo a sentença judicial, que transitou em julgado, Ana recebeu, em maio de 2022, a indicação de um implante hormonal que combinava gestrinona, metformina, estradiol, estriol e testosterona.
🔴 A paciente tinha um fator de risco importante: por uma condição na infância, vive com apenas um rim. Semanas depois da colocação do implante, precisou ser internada com infarto renal associado à trombose, teve edema pulmonar agudo e foi levada à UTI, com necessidade de respirador.
De acordo com a perícia judicial, houve “nexo causal” entre o uso do implante e o infarto renal sofrido por Ana Karina. Ou seja, a avaliação técnica concluiu que o implante teve relação direta com o quadro grave de saúde.
Após ter acesso ao processo, o g1 conversou com Ana, que aceitou relatar sua história. Ela diz que não foi informada de que receberia hormônios com efeito anabolizante.
No início, a abordagem era toda voltada para a saúde. O médico disse que eu poderia ter osteoporose, desgaste nos ossos. Eu perguntei quais eram os riscos, e ele me garantiu que eram praticamente inexistentes. Em nenhum momento me disse que aqueles hormônios eram anabolizantes.
O processo também reúne trocas de mensagens entre Ana Karina e o médico. Em um dos prints anexados aos autos, ela cobra assistência durante a internação. Na resposta, ele diz atender “400 pacientes por mês”.
Em seguida, escreve: “Se cada paciente que ficasse internada eu fosse visitar (...) eu não teria tempo pra mais nada, Karina”.
No processo, Bruno alega que os problemas de saúde da paciente não tinham relação com o implante, o que foi contestado na sentença.
Ao g1, afirma que não pode comentar detalhes do caso por sigilo médico, mas diz que, em medicina, “desfechos clínicos podem ser multifatoriais e nem sempre permitem estabelecer relações causais de forma absoluta”.
Por que esse esquema segue de pé?
Há uma mobilização crescente de sociedades médicas e órgãos de controle para conter o avanço dos implantes hormonais manipulados no país.
Desde 2023, entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) vêm alertando autoridades sanitárias sobre o problema.
Em cartas enviadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Saúde, classificam o cenário como um “grave problema de saúde pública” e pedem medidas mais duras de controle.
Nos documentos, as entidades afirmam que os implantes são impulsionados por um forte apelo comercial — vendidos como solução para menopausa, estética e desempenho —, sem respaldo da medicina baseada em evidências.
Segundo as sociedades, os produtos não têm bula, não têm dados consistentes de segurança e eficácia e podem causar efeitos graves, como infarto, AVC e trombose .
Esse cenário já aparece nos consultórios. O endocrinologista Clayton Macedo, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que tem atendido pacientes que eram saudáveis antes dos implantes e passaram a enfrentar complicações graves.
“Muitas dessas pacientes chegam internadas e não sabem exatamente o que foi implantado. E, diferentemente de outros tratamentos, não dá para simplesmente suspender — o hormônio continua sendo liberado no corpo. Em alguns casos, nem a retirada é possível”, diz.
A ginecologista Zsuzsanna Di Bella, da Febrasgo, afirma que o mercado explora inseguranças femininas ao prometer melhora estética e sexual, mas pode gerar danos relevantes.
“A testosterona não age só no músculo. O coração também responde a esse estímulo — e isso pode trazer risco real. Estamos vendo mulheres saudáveis saírem desses consultórios com problemas cardíacos importantes”, afirma.
As próprias sociedades médicas destacam, nas cartas, que não existe dose ou acompanhamento capaz de garantir segurança quando esses hormônios são usados para fins estéticos ou de performance . Também apontam a atuação de redes sociais, cursos e farmácias de manipulação na expansão desse mercado.
A pressão chegou ao Ministério Público Federal (MPF), que também cobrou providências da Anvisa. Em manifestação obtida pelo g1, o órgão pediu a proibição total dos implantes hormonais manipulados. O pedido foi feito em dezembro de 2025 e, até a publicação desta reportagem, não havia resposta.
A reportagem procurou a Anvisa, que não se pronunciou até a publicação desta reportagem. A farmacêuticas Bio Meds também foi acionada, mas não respondeu aos questionamentos do g1.
O que dizem os citados na reportagem
- Veja a íntegra da nota da Elmeco:
"A Elmeco informa que todas as suas atividades, sejam técnicas ou comerciais, são exercidas em estrita conformidade com as normas sanitárias vigentes que regulam a manipulação magistral.
A Elmeco preza pela transparência e integridade, ao mesmo tempo em que observa com cautela a circulação de informações imprecisas ou descontextualizadas em cenários de maior exposição pública do tema, reafirmando seu compromisso permanente com a qualidade, a rastreabilidade e a segurança dos pacientes, inclusive no que se refere à proteção de dados pessoais e clínicos, em cumprimento aos deveres legais e éticos próprios das preparações magistrais, caracterizadas pela individualização terapêutica e pela produção sob prescrição específica.
A Elmeco recorda que a manipulação magistral é prática historicamente consolidada no sistema de saúde brasileiro. Nesse contexto, a experiência regulatória acumulada demonstra tratar-se de atividade complementar a outras formas de disponibilização de medicamentos, atendendo a finalidades distintas e devendo coexistir de forma harmônica, sem prejuízo ao desenvolvimento técnico e à inovação nas diferentes áreas terapêuticas, desde que observados os parâmetros sanitários aplicáveis a cada modelo.
Por fim, a empresa reitera seu apoio a iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento do ambiente regulatório, com foco na melhoria contínua da segurança sanitária e no combate à atuação de empresas irregulares ou à circulação de produtos fora dos canais devidamente controlados, bem como a quaisquer condutas que possam comprometer a confiança no setor."
- Veja a íntegra da nota da Unikka Pharma:
"LCA FARMACÊUTICA LTDA (nome fantasia ''Unikka Pharma'), através de seus advogados, afirma que não manipula e nunca manipulou implantes hormonais, de sorte que não possui qualquer atuação – direta ou indireta – neste específico mercado.
No tocante à manipulação e comercialização do insumo tirzepatida, que é objeto da 'Operação Slim', a Unikka Pharma reafirma que não praticou qualquer ato ilícito, o que será, em tempo e modo, comprovado e reconhecido pelas autoridades competentes.
Reforça-se que a Unikka Pharma possuía e possui expressa autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da COVISA para manipulação de preparações estéreis.
Ademais, esclareça-se que os mesmos fatos apurados na Operação Slim já foram objeto de outros procedimentos perante a Justiça Estadual, os quais foram devidamente arquivados, ante a ausência de qualquer conduta ilícita a ser imputada à Unikka Pharma, tendo a certeza que as investigações perante a Justiça Federal, incompetente para o exame, igualmente assim serão.
Ademais, com relação à pessoa de Gabriel Almeida, afirma-se que o mesmo não figura – e nunca figurou – como sócio da Unikka Pharma, tendo o citado médico, apenas e tão somente, adquirido medicamentos da farmacêutica, em estrita observância às diretrizes impostas pela ANVISA e que sempre foram seguidas à risca pela Unikka Pharma.
Por fim, a Unikka Pharma reforça o seu compromisso com as diretrizes impostas pelos órgãos de vigilância sanitária – ANVISA e COVISA –, bem como com todos os desígnios da Justiça que lhes são impostos."
- Veja a íntegra da nota de Lázaro Lourenço:
"Inicialmente, é importante esclarecer que os cursos ministrados têm caráter eminentemente técnico-científico, voltados exclusivamente a médicos regularmente inscritos em seus respectivos Conselhos Profissionais, com o objetivo de atualização e aprofundamento em terapias hormonais, dentro de uma abordagem baseada em evidências.
O objetivo é capacitar os médicos a prescreverem a Reposição Hormonal para pacientes, pois existe uma carência muito grande desse conhecimento, sendo que esse tema já é aprovado por todas as sociedades mundiais, inclusive as brasileiras. A reposição hormonal via implante é só mais uma via de administração, sendo que essa pode ser feita por outras vias com gel transdérmico e comprimido onde eu ensino no nosso curso.
Alguns médicos que distorcem e associam reposição hormonal a implante como se fosse algo errado sendo que é só uma via de administração, induzindo pacientes a erro e muitas vezes demonizando o próprio diagnóstico para que o paciente não possa ter acesso a essa via de reposição. No que se refere à interpretação de trechos pontuais do curso, é fundamental destacar que falas isoladas, fora de seu contexto integral, podem gerar conclusões equivocadas.
O conteúdo completo demonstra que a comunicação médico-paciente é abordada sob a ótica da escuta qualificada, da identificação de queixas muitas vezes subdiagnosticadas e da necessidade de traduzir, de forma acessível, aspectos técnicos ao paciente, sempre com base em critérios clínicos.
O 'produto ou protocolo visto como necessário' é o tratamento que no caso é a Reposição Hormonal e sim o paciente precisa quando indicada, isso é incontestável, a via em questão que está sendo questionada é só uma das formas de repor que não exime o paciente de precisar fazer o tratamento, uma vez diagnosticado. E isso não impe Fonte/Créditos: G1 Créditos (Imagem de capa): G1
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