O serviço de rope jump contratado pela jovem de 21 anos que morreu no sábado (13) após ser lançada sem a corda de segurança pelos instrutores oferecia um salto de 40 metros de altura na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP), e era comercializado por R$ 180.
A ponte onde ocorreu o acidente pertencia a uma antiga estrutura ferroviária e está desativada há cerca de 30 anos.
Na manhã de sábado, o evento, que não tinha autorização para acontecer, reuniu cerca de 100 participantes e foi promovido por grupos informais.
A vítima, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, escolheu a modalidade chamada “aviãozinho”, na qual o praticante não pula sozinho, mas é lançado pelos instrutores.
Vídeos mostram que a participante foi carregada por três funcionários até a beirada da plataforma e arremessada para frente.
🔎 Diferente do bungee jump, o rope jump utiliza cordas estáticas (semelhantes às de escalada). O sistema é projetado para interromper a queda livre de forma controlada, transformando a energia vertical em um movimento de balanço lateral, como um pêndulo. Apesar de não ser proibido, o esporte não é regulamentado no país.
A jovem portava uma câmera quando foi arremessada, segundo testemunhas. A câmera, no entanto, sumiu. Segundo o pedagogo Rafael Goulart, um integrante da equipe organizadora retirou a câmera da vítima enquanto ela já estava caída no chão.
“A primeira cena que eu lembro de quando vi a menina no chão foi ver um dos funcionários tirando da alça do pescoço, do corpo que já estava no chão, a câmera da GoPro, preocupado com equipamento ou para querer esconder provas”, conta o pedagogo Rafael Goulart à EPTV, afiliada da TV Globo.
O mesmo grupo tinha saltos marcados para os próximos dias em Rio Claro (por R$ 210) e em Minas Gerais (por R$ 250). A gravação era cobrada à parte, por R$ 110.
Lançada sem corda
Testemunhas filmaram a vítima sendo carregada por três funcionários e impulsionada para a frente. Os instrutores esqueceram de conectar a corda guia ao corpo da jovem e, a corda grossa que deveria segurar a queda ficou enrolada no chão da plataforma de salto.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda sendo carregada pelos três funcionários até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente e, logo após a queda, ouvem-se gritos de desespero dizendo "a corda" e "gente, a corda"
Uma enfermeira de 26 anos que saltaria pouco depois de Maria Eduarda afirmou à polícia que prestou socorro à jovem e tentou reanimá-la. Ela afirmou que desceu da ponte, encontrou a vítima com pulsação fraca e chegou a fazer massagem cardíaca, mas a pulsação da vítima parou.
A profissional também disse que a jovem estava com um equipamento de segurança preso à barriga, mas sem a corda principal. Ela afirmou que permaneceu prestando os primeiros socorros até a chegada da ambulância.
Instrutores presos
Inicialmente, seis pessoas foram detidas, mas apenas três instrutores, que foram atuados em flagrante, seguem presos.
Os suspeitos são Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos. No domingo (14), a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante deles.
O grupo responsável pela atividade não possuía empresa formal, segundo a polícia.
O advogado de defesa, Rafael Gomes dos Santos, afirmou que os três clientes são apaixonados pelo esporte, atuam há anos e nunca tiveram problemas. Ele classificou o caso como uma "triste fatalidade".
Santos ressaltou, ainda, que o rope jump não é regulamentado, mas também não é proibido, e que eventos semelhantes já foram realizados na Ponte do Esqueleto sem intervenção do poder público.
Governo federal avalia remover ponte
A Ponte do Esqueleto fica na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy e é de responsabilidade do governo federal. O local acumula um histórico de acidentes.
Na noite desta segunda-feira (15), o governo federal disse que cogita a “remoção” da ponte. A informação foi divulgada após a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) ter reuniões com as prefeituras de Limeira e Cordeirópolis para discutir possíveis medidas.
“A SPU continuará discutindo com os governos locais uma solução definitiva para a referida ponte, que poderá ser eventual remoção.”
Segundo o SPU, as duas prefeituras apoiam a possibilidade de implodir a estrutura desativada.
As investigações iniciais apontam que nunca houve autorização para realizar saltos de rope jump no local. A modalidade também não tem uma regulamentação definida no país.
Por conta disso, a Secretaria de Patrimônio da União disse que valas devem ser reabertas no local para impedir o acesso. Ainda segundo a pasta, a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo (SPU-SP) se comprometeu em colocar placas de aviso e instalar barreiras físicas.
"A SPU reafirma que a transferência da ponte para o Patrimônio da União sob gestão da Secretaria foi oficializada em maio, que nunca autorizou nenhuma atividade na referida ponte e que o diálogo e parceria entre entes federados é o caminho para gestão de espaços de uso comum", complementou, em nota.
O que dizem as prefeituras
Prefeitura de Limeira
Em nota, a Prefeitura de Limeira disse que a atividade no local sempre foi proibida e solicitou que a União faça a demolição da estrutura, além de investigação pela Polícia Federal de futuras atividades divulgadas pelas redes sociais.
A administração municipal também afirmou que, durante o encontro com o governo federal, apresentou as medidas já antes adotadas desde 2024 para impedir o acesso à ponte, entre elas a instalação de placas de advertência, o bloqueio de acessos e a abertura de valetas. Ressaltou, porém, que parte das entradas ocorre por propriedades particulares.
"Estamos tratando de uma área que apresenta riscos conhecidos há muitos anos e que continua atraindo pessoas mesmo interditada. A implosão da estrutura será uma solução definitiva para evitar novos incidentes e garantir a segurança da população", afirmou o prefeito da cidade, Murilo Félix (Podemos).
Prefeitura de Cordeirópolis
Em reunião com a SPU nesta segunda-feira, a Prefeitura de Cordeirópolis defendeu a demolição da Ponte do Esqueleto e garantiu que reforçará o bloqueio do acesso à estrutura.
"Cordeirópolis defende a demolição dessa ponte. É urgente que todos ajam neste momento para evitar outras tragédias. A solução definitiva deve ser imediata", citou a prefeita, Cristina Saad (União).
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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