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Segunda-feira, 26 de Outubro 2026
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Economia

Reeleição de Lula: Bolsa despenca 15% após 'Circuit Breaker' e Dólar vai a R$ 5,60

Na última sexta-feira (23), a moeda americana caiu 0,90%, cotada a R$ 4,9930. Já a bolsa brasileira subiu 0,47%, aos 205.083 pontos.

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O dólar opera em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 8,82% perto das 13h30, cotado a R$ 5,4331. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão. Na retomada dos negócios, voltou com um recuo de mais de 17%. Perto das 13h30, caía 15,46%, aos 173.377 pontos.

Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais.

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O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.

A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.


  • Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.


▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.

▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.

  • Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, subia 0,34% perto das 13h30, cotado a US$ 117.12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 0,34%, a US$ 102,92 o barril.


▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

  • Acumulado da semana: -1,57%;
  • Acumulado do mês: -3,50%;
  • Acumulado do ano: -9,03%.



📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: -0,17%
  • Acumulado do mês: +10,06%;
  • Acumulado do ano: +27,28%.



Vitória de Lula muda projeções do mercado


A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).

Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.

Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.

Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão.


"O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos", disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.


Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.

"Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.

Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora.

Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez.


  • Ações brasileiras caem no exterior


A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26).

Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%.


  • Juros futuros saltam batem limites de oscilação


Em meio à forte queda dos mercados, os juros futuros dispararam nesta segunda-feira (26). A alta foi tão intensa que alguns contratos atingiram os limites de oscilação da B3.


  • 🔎 Os juros futuros são taxas negociadas no mercado financeiro que refletem as expectativas dos investidores para os juros nos próximos meses e anos. Eles não são iguais à Selic, taxa básica definida pelo Banco Central, mas ajudam a indicar como o mercado avalia os riscos para a economia.


Por volta das 10h, a taxa para janeiro de 2027 subia de 13,475% para 13,898% ao ano. Para janeiro de 2029, avançava de 12,595% para 15,03% e, para 2035, de 12,68% para 15,375%.

A alta dos juros futuros não significa um aumento imediato das taxas cobradas pelos bancos. No entanto, se o movimento persistir, poderá encarecer empréstimos e financiamentos, além de elevar os custos das empresas para obter crédito.


  • Tesouro recompra R$7,1 bilhões em NTN-Fs em meio à disparada das taxas


Enquanto isso, o Tesouro Nacional realizou uma operação de recompra de títulos públicos, que movimentou cerca de R$ 7,1 bilhões. Ao todo, foram recomprados 8,4 milhões de títulos prefixados, que são investimentos com uma taxa de rendimento definida no momento da compra.

A medida foi uma tentativa de reduzir a turbulência no mercado após a disparada dos juros futuros. Na prática, o governo comprou de volta títulos que estavam nas mãos dos investidores, aumentando a demanda por esses papéis e ajudando a conter a queda de seus preços.

Isso porque, no mercado de títulos públicos, quando os preços caem, as taxas de rendimento sobem. Ao recomprar os papéis, o Tesouro busca amenizar essa pressão e evitar oscilações ainda mais intensas nos juros.


  • Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula


Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h.

“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo [...] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber.

A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.

  • Risco de disputa na Justiça


Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.

Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.

“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.


Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?


A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como "circuit breaker", foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020.

Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.

Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:


  • 1997 - Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
  • 1999 - Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
  • 2008 - Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
  • 2020 - Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.


Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:



Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história


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