Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
O Fato ou Fake, serviço de checagens do Grupo Globo, preparou uma cobertura especial para verificar as declarações feitas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira (23). Uma equipe de mais de 30 jornalistas está trabalhando em conjunto para dar agilidade ao processo, sem abrir mão do rigor na apuração.
Como nas eleições municipais de 2024, as primeiras checagens começaram a ser publicadas, durante o debate, no g1 e nos sites dos jornais "O Globo", "Valor Econômico" e "Extra" e da rádio CBN. O trabalho vai continuar pela madrugada, até que toda a apuração seja concluída.
O Fato ou Fake checa debates desde as eleições de 2018, ano em que o serviço foi lançado. O mesmo aconteceu nas disputas de 2020, 2022, 2024 e, agora, em 2026.
FLÁVIO BOLSONARO (PL)
“Aí, esse vídeo, eu peço que a minha equipe coloque agora no meu Instagram [...] o vídeo real sobre o Bolsonaro ter aquele vídeo dele suspirando e ele fala que estava debochando das pessoas que estavam sem ar. É mentira. Se você pegar 10 segundos antes, 10 segundos depois, você vai ver que é exatamente o contrário: é o presidente Bolsonaro criticando que, na época, se defendia que as pessoas precisavam esperar sentir falta de ar para depois irem para o hospital. Naquele momento, que não tinha vacina, não tinha remédio, ninguém sabia o que estava acontecendo direito ainda, ele queria garantir que você pudesse ir até o médico para que o médico pudesse te atender.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/2/o6S1ZOR2SoVipUgcZOyw/selo-leve-fake.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- O vídeo publicado no perfil oficial de Flávio Bolsonaro no Instagram na noite desta sexta-feira (23), ainda durante o debate, é a versão editada do trecho de uma live transmitida por Jair Bolsonaro, pai do candidato, em 18 de março de 2021. Foram cortados 30 segundos da transmissão original, disponível no canal do YouTube do ex-presidente e consultada pelo Fato ou Fake.
- Na fala suprimida, Jair Bolsonaro mencionou que havia "dezenas de milhares de médicos que são favoráveis ao tratamento inicial [contra a Covid-19]". Além disso, àquela altura da pandemia, a campanha de vacinação já tinha começado (veja detalhes a seguir).
- Na versão divulgada nesta sexta no canal de Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro aparece falando: “Você passou mal, tá com um pouco de dor de cabeça, dor nos olhos, um pouco de febre, resfriado, vai para o médico imediatamente. E milhares de pessoas tem se socorrido com esse tratamento inicial, e dão um testemunho que se curaram. O apelo que eu faço aí, para quem é contra, sem problemas. Se tu começar a sentir um negócio esquisito lá, tu segue a receita do ministro Mandetta. Você vai pra casa, quando você tiver... [momento em que imita a pessoa engasgando com falta de ar] você vai para o hospital. Mandetta, o cara quando sentir falta de ar vai para o hospital fazer o quê? Para ser entubado. Meu Deus do Céu”.
- O Fato ou Fake consultou o trecho exato daquela live de 18 de março de 2021, disponível no canal do YouTube de Jair Bolsonaro e verificou que, nos 30 segundos suprimidos na versão publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro, o pai dele disse: “Existe, eu não sei se está dividido ou não, mas, gente, são quase em torno de 500 mil médicos no Brasil e tem dezenas de milhares de médicos que são favoráveis ao tratamento inicial. A gente vê na declaração nas mídias sociais, tal cidade, tá? Não tem, há tantos meses ou tantas semanas, não tem ninguém que foi hospitalizado. Então, isso é uma maneira de você observar o que está acontecendo”. Assista aqui à transmissão original: https://www.youtube.com/watch?v=xVWLlFdRNt8.
- Além disso, não é verdade que não existia vacina contra o coronavírus, como alegou o candidato no debate desta sexta. A campanha teve início em São Paulo em 17 de janeiro daquele ano, com aplicação da CoronaVac, que havia sido autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
- No dia da live, segundo dados do consórcio dos veículos de imprensa, o Brasil registrou 2.659 mortes por Covid-19, chegando ao total de 287.795 óbitos.
“Nós pegamos o Brasil lá em 2019 com cerca de 14 mil obras inacabadas e, apesar de todos os problemas, a gente entregou o Brasil com um pouco mais de 8 mil obras inacabadas."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/q/rEOi7XRRSpDqedhOb5HQ/fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- O Tribunal de Contas da União (TCU) mantém um painel interativo de Acompanhamento de Obras Paralisadas, mas a ferramenta não apresenta dados de 2019. Naquele ano, uma auditoria do órgão, registrada no Acórdão 1079/2019, identificou 14.403 empreendimentos paralisados, o equivalente a aproximadamente 37,5% do total.
- Segundo o painel do TCU, em agosto de 2022, havia 8.674 obras paralisadas, de um total de 22.559 obras monitoradas. Isso significa que 38,5% delas estavam paralisadas.
"Agora, neste ano, o TCU, o Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que existem mais de 11,5 mil obras paralisadas do atual governo, ou seja, o Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/2/o6S1ZOR2SoVipUgcZOyw/selo-leve-fake.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- O painel do TCU também indica que, em abril de 2026, havia 4.215 obras federais paralisadas, com investimentos previstos de R$ 16,2 bilhões. A ferramenta reúne dados de algumas bases federais e não abrange todas as obras em andamento no país. Esse é o último dado disponibilizado pelo TCU.
“Na época do presidente Bolsonaro, você tinha lá os seus R$ 600 do Bolsa Família, que foi o Bolsonaro que deu no mínimo R$ 600.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- O benefício chegou a R$ 600, em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, mas por decisão do Congresso Nacional. Segundo a Câmara dos Deputados, o Bolsa Família pagava, em média, cerca de R$ 189 em 2021, antes de ser substituído pelo Auxílio Brasil.
- A primeira etapa do aumento teve iniciativa de Bolsonaro. De acordo com a Câmara, a Medida Provisória 1.076/2021, editada pelo então presidente, criou um complemento para que as famílias recebessem ao menos R$ 400. Após aprovação do Congresso, a medida deu origem à Lei 14.342/2022, que tornou esse valor permanente.
- A elevação de R$ 400 para R$ 600, por outro lado, veio por uma emenda aprovada e promulgada pelo Congresso. A Emenda Constitucional 123, de 14 de julho de 2022, estabeleceu um adicional de R$ 200 apenas de agosto a dezembro daquele ano. Por ser uma emenda constitucional, não precisava de sanção de Bolsonaro nem estava sujeita a veto presidencial.
- Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, em 17 de setembro de 2026, a 17 dias do primeiro turno, o governo Lula anunciou uma atualização de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos a partir de 19 de outubro. A pasta informa que é a primeira correção pela inflação desde a reformulação do programa, em 2023, e recompõe o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março daquele ano e agosto de 2026.
"Nós fizemos o marco legal do saneamento básico, porque hoje tem aproximadamente 90 milhões de brasileiros que não têm esgoto tratado nas suas casas. Tem aproximadamente 40 milhões de brasileiros que não têm água tratada nas suas casas. E nós fizemos esse marco legal exatamente para que houvesse um investimento e até 2033, nós pudéssemos garantir que mais de 90% dos brasileiros tivessem acesso a esses dois bens básicos. Sabe quem votou contra isso lá no Congresso Nacional? A bancada do PT."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- O novo marco legal do saneamento foi aprovado durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O Projeto de Lei 4.162/2019, apresentado pelo Executivo em agosto de 2019, deu origem à Lei 14.026, sancionada em julho de 2020. A legislação atualizou o marco estabelecido em 2007, no segundo governo Lula. Em 2013, no governo Dilma Rousseff, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) já havia estabelecido metas de ampliação do acesso à água e ao esgoto até 2033.
- A legislação aprovada em 2020 estabeleceu a meta de garantir acesso à água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos brasileiros até 2033. Os percentuais são metas de universalização, não resultados garantidos.
- A bancada do PT se posicionou contra o projeto nas duas Casas do Congresso. Na Câmara dos Deputados, em 11 de dezembro de 2019, os 43 parlamentares petistas que participaram da votação votaram contra a proposta, aprovada por 276 votos a 124, com uma abstenção. No Senado, em 24 de junho de 2020, os seis senadores do PT também votaram contra o projeto, aprovado por 65 votos a 13.
- Segundo o Instituto Trata Brasil, no Ranking do Saneamento 2026, publicado em março com dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), cerca de 90 milhões de brasileiros (43,3% da população) não tinham acesso à coleta de esgoto. O candidato, porém, confunde coleta com tratamento. A coleta consiste em recolher e transportar o esgoto por tubulações, enquanto o tratamento é o processo de remoção dos poluentes antes de seu descarte no meio ambiente. Portanto, ter acesso à rede coletora não significa necessariamente que o esgoto seja tratado.
- Conforme o relatório Sinisa 2025, do Ministério das Cidades, com informações de 2024, apenas 51,8% do volume de esgoto gerado no Brasil recebeu tratamento. Entre o esgoto efetivamente coletado, o percentual tratado foi de 85,2%. Esses indicadores medem volumes de esgoto, e não quantidades de pessoas, portanto não podem ser convertidos diretamente em número de brasileiros sem tratamento.
- O número de 40 milhões de brasileiros sem água tratada citado pelo candidato é superior à estimativa mais recente divulgada pelo Instituto Trata Brasil. Segundo a entidade, com base em dados de 2024 do Sinisa, cerca de 33 milhões de pessoas (15,9% da população considerada) não tinham acesso à água potável. O levantamento aponta que 84,1% da população era atendida por redes de abastecimento de água, o equivalente a aproximadamente 174 milhões de habitantes.
"Você prometeu que ia entregar a transposição no Rio São Francisco até 2009. Não entregou. Depois, que iria entregar até 2014. Também não entregou. Sabe quem levou, quem concluiu as obras e fez finalmente chegar água até o Nordeste? Jair Messias Bolsonaro."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- A transposição do Rio São Francisco é dividida em diferentes etapas e estruturas. O projeto tem dois eixos principais, o Leste e o Norte, que levam água a diferentes estados do Nordeste, além de ramais complementares que ampliam a distribuição para outras localidades. Por isso, a conclusão de um eixo ou a chegada da água a determinada região não significa que toda a obra tenha sido finalizada.
- As obras começaram em 2007, durante o segundo governo Lula, e sofreram sucessivos atrasos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o cronograma original do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previa a conclusão do Eixo Leste em junho de 2010 e do Eixo Norte em dezembro de 2012 — e não de toda a obra em 2009, como afirmou Flávio Bolsonaro. Em 2012, durante o governo Dilma Rousseff (PT), a previsão passou a ser concluir o Eixo Leste até dezembro de 2014 e o Eixo Norte em 2015. Esses prazos também não foram cumpridos. Não há registros, porém, de declaração do Lula prometendo a conclusão da transposição especificamente em 2009.
- A água da transposição chegou ao Nordeste antes do governo Jair Bolsonaro. Em 10 de março de 2017, durante o governo Michel Temer (MDB), foi inaugurado o Eixo Leste, que leva água de Pernambuco à Paraíba. Na ocasião, as águas do Rio São Francisco já haviam alcançado o município de Monteiro, no interior paraibano. Portanto, não foi Bolsonaro quem fez a água chegar pela primeira vez às regiões atendidas pela transposição.
- Jair Bolsonaro deu continuidade ao empreendimento e concluiu etapas importantes do Eixo Norte. Em junho de 2020, as águas chegaram ao Ceará por esse eixo. Em fevereiro de 2022, durante seu governo, chegaram pela primeira vez ao Rio Grande do Norte, por meio do sistema da transposição. Na ocasião, o Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou que os dois eixos principais estavam operacionais.
- Grande parte das obras já estava executada antes da posse de Bolsonaro. Segundo o Ministério da Integração Nacional, os dois eixos principais apresentavam 86,3% de avanço físico em abril de 2016, ainda no governo Dilma. Em novembro daquele ano, já no governo Temer, a pasta informou que 90,8% das estruturas estavam concluídas. Uma checagem do Projeto Comprova, publicada em 2021 com base em relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), apontou que todos os segmentos do Eixo Norte apresentavam pelo menos 92,5% de execução física em 2017, enquanto o Eixo Leste já havia sido inaugurado. O governo Bolsonaro contestou a comparação direta desses percentuais com os de sua gestão, alegando diferenças metodológicas e necessidade de reparos nas estruturas existentes.
- A conclusão dos eixos Norte e Leste durante o governo Bolsonaro não significou o encerramento das obras da transposição. Além dos dois canais principais, o projeto prevê ramais que ampliam a distribuição da água para outras regiões do Nordeste. Um deles é o Ramal do Apodi, entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, cuja construção começou em 2021, ainda no governo Bolsonaro. Em maio de 2025, Lula inaugurou o primeiro trecho, mas o conjunto da obra ainda não estava concluído. Em julho de 2026, o Ministério da Integração confirmou que o ramal continuava em construção. Outra estrutura, o Ramal do Salgado, no Ceará, estava com 55% de execução em maio de 2026, segundo o governo estadual. A obra permitirá ampliar o transporte de água até a bacia do Rio Jaguaribe, beneficiando municípios cearenses.
"Eu vou investir e vou tratar a internet como infraestrutura, como fez, como começou a fazer o presidente Bolsonaro. Nós instalamos mais de 21,3 mil pontos de acesso em vários locais do Brasil, atingindo mais de 3,1 mil cidades e abrangendo mais de 11 milhões de brasileiros onde, gente? Em escolas, em unidades de saúde."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Em 2017, o Gesac (futuro Wi-Fi Brasil) já contava com aproximadamente 11 mil conexões, de acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Ou seja, boa parte dos pontos de acesso contabilizados no fim de 2022 já havia sido instalada antes do início do governo de Jair Bolsonaro.
- De acordo com o levantamento TIC Domicílios, realizado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Programa Wi-Fi Brasil, coordenado pelo Ministério das Comunicações (MCom), havia instalado, até dezembro de 2022, 21,3 mil pontos de acesso gratuito à internet banda larga, por satélite ou conexões terrestres, em todo o país.
- No total, segundo o NIC.br, a iniciativa beneficiava, no fim de 2022, mais de 11 milhões de brasileiros em cerca de 3,2 mil municípios. Desse total, 16.195 conexões (76,2%) estavam instaladas em escolas, enquanto quase 70% dos pontos de acesso à internet (14.824) ficavam em áreas rurais.
- O NIC.br é uma entidade civil, de direito privado e sem fins lucrativos. O Wi-Fi Brasil é uma extensão do programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), criado em 2002. Posteriormente, o programa passou a se chamar Wi-Fi Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro.
"Lá na Argentina [...], o Milei começou um governo com 211% de inflação, a taxa de juros lá chegou a 100%."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Javier Milei tomou posse na Presidência em dezembro de 2023. De acordo com o Banco Central da Argentina, a inflação em 12 meses na época era de 211,4%.
- Em 18 de dezembro de 2023, o Banco Central da Argentina fixou a taxa de juros de 100% ao ano, substituindo a Leliq, que à época estava em 133%.
"Ele [Lula] é o pai do Tigrinho, ele é o pai do cassino on-line. Ele criou, ele liberou. Aí chegando perto da eleição, ele vai e cancela, achando que vai enganar você."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Não é verdade que o presidente Lula tenha criado as apostas de quota fixa, conhecidas como "bets", nem os cassinos on-line. A modalidade foi criada pela Lei nº 13.756/2018, em dezembro de 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB). O que ocorreu no atual mandato de Lula foi o estabelecimento de regras e a regulamentação desse mercado, com a sanção da Lei nº 14.790 em dezembro de 2023.
- A legislação de 2018 previa um prazo de dois anos, prorrogável por igual período, para que o Executivo regulamentasse a atividade e definisse normas de fiscalização e tributação.Nesse intervalo, as empresas puderam operar no país sem regras específicas de funcionamento. O prazo terminou em 12 de dezembro de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), sem que a regulamentação fosse editada.
- Em julho de 2023, no primeiro ano do governo Lula (PT), o Executivo enviou à Câmara dos Deputados o projeto de lei para regulamentar o setor.
- Em setembro do mesmo ano, a Câmara aprovou a proposta e incluiu no texto os jogos virtuais, como cassinos on-line. Em 12 de dezembro, o Senado retirou essa previsão, mas a Câmara restabeleceu a inclusão dez dias depois.
- Em 30 de dezembro de 2023, Lula sancionou a Lei nº 14.790/2023, popularizada como "Lei das Bets", que alterou a legislação de 2018 e consolidou as regras para o setor.
- A nova lei determinou a taxação de 12% sobre as receitas das empresas (GGR) e tributação de 15% sobre os prêmios líquidos dos apostadores via Imposto de Renda (IRPF).
- Já em 29 de julho de 2024, a Portaria SPA/MF nº 1.207, do Ministério da Fazenda, estabeleceu as regras técnicas de funcionamento para jogos on-line e estúdios ao vivo.
- A resposta de Lula a essa declaração também foi checada pelo Fato ou Fake e recebeu o selo de #FAKE (leia mais abaixo).
"Meu concorrente prometeu picanha e entregou a abóbora. Ele chegou ao ponto de falar a seguinte frase: 'Se a comida está cara, não compra'."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Em entrevista a rádios da Bahia, o presidente Lula, ao comentar sobre a alta dos preços de alimentos, disse que era preciso “educar” a população. Ele atribuiu a inflação desse setor, que foi de 7,69% em 2024, à alta do dólar e ao que chamou de “arapuca” do Banco Central (BC), em referência à taxa de juros.
- Na ocasião, Lula disse o seguinte: "Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai no supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, porque senão vai estragar".
"[...] foi o CNJ [Conselho Nacional de Justiça] que criou [a audiência de custódia], durante um governo de esquerda, inclusive, quando tinha na presidência o ex-ministro da Justiça dele, Ricardo Lewandowski."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- As audiências de custódia realmente foram criadas em 2015 por iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, na época, era presidido por Ricardo Lewandowski. A presidência do conselho cabe ao presidente da vez do Supremo Tribunal Federal (STF).
- Quem estava na Presidência era Dilma Rousseff (PT), sucessora de Lula após o segundo mandato do petista. O programa para implementar audiências de custódia teve início em fevereiro de 2015 no estado de São Paulo. O Ministério da Justiça também participou da iniciativa.
- O CNJ é uma instituição vinculada ao Poder Judiciário, e não ao governo federal. Indicado ao STF por Lula em 2006, Lewandowski só assumiu o Ministério da Justiça após deixar a Corte.
- Segundo o CNJ, a implementação das audiências de custódia estava prevista em tratados internacionais assinados pelo Brasil, como o Pacto de San José, de 1969. O país se tornou signatário dele, no entanto, apenas em 1992, quando o governo Fernando Collor já se aproximava do final.
"O Lula votou contra a Constituição de 88 que criou o SUS."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- O Fato ou Fake consultou o Diário da Assembleia Nacional Constituinte e localizou o registro de votação do então deputado federal Lula (PT). Ele votou contra o texto.
- Por entender que o resultado da constituinte era muito conservador, o Partido dos Trabalhadores optou por orientar o voto contrário ao texto. Na época, Lula, que estava entre os parlamentares da sigla que trabalharam na formulação do texto, afirmou que o partido reconheceu terem existido “alguns avanços” em aspectos como direito dos trabalhadores, mas acrescentou que eles estavam aquém do esperado.
- "Importante na política é que tenhamos espaço de liberdade para ser contra ou a favor. E o Partido dos Trabalhadores, por entender que a democracia é algo importante, ela foi conquistada na rua, ela foi conquistada nas lutas travadas pela sociedade brasileira, vem aqui dizer que vai votar contra esse texto, exatamente porque entende que, mesmo havendo avanços, a essência do poder, a essência da propriedade privada, a essência do poder dos militares continua intacta nesta Constituição", disse Lula (PT) em discurso no qual comunicou a posição do partido.
- Apesar do voto contrário, os parlamentares do PT assinaram o texto. Constam da Constituição os nomes de Lula, Benedita da Silva, José Genoino e outros petistas. "É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório - decisão majoritária - o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte", afirmou Lula à época.
O atual governo está deixando uma dívida de R$ 11 trilhões."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- O Banco Central informou, em nota publicada em 30 de setembro de 2026, que a Dívida Bruta do Governo atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB)
- O indicador reúne as dívidas do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos estados e dos municípios. Assim, o valor não se refere exclusivamente à dívida do governo federal.
- Ao final de 2022, ano anterior ao início do terceiro mandato de Lula (PT), a Dívida Bruta do Governo havia atingido R$ 7,2 trilhões, o equivalente a 73,5% do PIB da época.
“Lá em outubro de 2022, nas eleições anteriores, a previsão de taxa de juros, se o presidente Bolsonaro continuasse no governo, era que hoje nós tivéssemos uma taxa em torno de 7%. Nós estamos falando de que hoje temos uma taxa de 14%, são 7 pontos percentuais de diferença."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Segundo o Banco Central, a taxa básica de juros em vigor é de 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic no mês passado, e a nova taxa passou a valer em 17 de setembro.
- Os relatórios Focus referentes ao período de 21 a 28 de outubro de 2022 apresentaram projeções para a Selic de 11,25% no fim de 2023, 8% no fim de 2024 e 7,75% no fim de 2025. Essas edições não traziam projeções para 2026.
- Além disso, o Focus reúne as expectativas de instituições financeiras e outras entidades consultadas pelo Banco Central. São previsões que podem mudar, e não taxas garantidas ou promessas do governo anterior. A diferença entre uma projeção antiga e a taxa efetivamente registrada não demonstra, por si só, qual seria o nível dos juros sob outro governo.
"[O caso Ana Clara, que morreu aos 5 anos em 2021, atingida por um tiro de fuzil em Niterói] Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. Eu quero ajudar a senhora [mãe da garota], inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança de que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Ana Clara Machado, de 5 anos, foi morta por um tiro de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava com o irmão Pedro, de 2 anos, na porta de casa, na comunidade do Monan Pequeno, no bairro do Badú, em Niterói.
- O assassinato da garota ocorreu durante uma incursão de policiais militares do 12º BPM pela região. Segundo os agentes, a equipe foi recebida a tiros por traficantes e reagiu. Moradores, no entanto, negam a versão de que houve confronto.
- Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio (MP-RJ), um dos policiais presentes durante a ação repreendeu o cabo Bruno Dias Delaroli, autor do disparo, ao perceber que a criança havia sido atingida, dizendo: “Olha a merda que você fez”. A frase foi repetida várias vezes. O documento não identifica qual policial fez a reprimenda.
- A investigação reuniu elementos que contrariam a versão apresentada pelos militares e por Flávio Bolsonaro de que houve um confronto. Além de testemunhas (a mãe e a tia de Ana Clara e dois moradores) negarem a existência do confronto, foi constatado que a viatura não tinha marcas de tiros. E, embora Bruno afirmasse ter sido atacado por criminosos armados com pistolas, os peritos não encontraram estojos de munição dessas armas — apenas estojos de fuzil calibre 7,62 milímetros, compatíveis com o armamento utilizado pelos agentes.
- Ainda de acordo com a denúncia do Ministério Público, os PMs teriam retornado à cena do crime para recolher estojos de munição, e Bruno teria disparado com um fuzil calibre 7,62 em direção a uma área com grande circulação de moradores, inclusive crianças.
- Para o Ministério Público o policial assumiu o risco de matar por ter efetuado disparos contra uma área residencial mesmo tendo sido alertado por moradores da presença de civis. Por isso, Bruno foi denunciado por homicídio qualificado por dolo eventual, ou seja, quando se assume o risco de matar.
- A Justiça determinou que o policial fosse levado ao Tribunal do Júri. Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa de Delarolli e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão.
- A defesa alegou falhas na perícia e falta de confiabilidade dos depoimentos. O pedido foi que, caso o julgamento pelo júri fosse mantido, a acusação passasse de homicídio doloso, quando há intenção de matar, para culposo, quando não há. Também solicitou a retirada da agravante de que a vítima não teve chance de se defender.
- O STJ negou os pedidos. O processo segue em andamento, e o policial, que responde em liberdade desde novembro de 2021, ainda não foi julgado. O júri está marcado para maio de 2027.
- Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, estava presente na plateia do debate desta sexta-feira – foi a ela que Flávio Bolsonaro se dirigiu ao fazer esta declaração. Na ocasião, ela reafirmou que não houve troca de tiros antes de a filha ser atingida, como mostram vídeos gravados por jornalistas, entre os quais profissionais de "O Globo".
"Você gastou mais de R$ 405 bilhões para tentar se eleger nos próximos dias. Você tem dois meses que mandou a Lei Orçamentária Anual, que são as despesas previstas para o ano que vem e nada disso estava previsto."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- A Lei Orçamentária Anual (LOA) estabelece a previsão de receitas e as despesas do governo para cada ano. A proposta deve ser enviada ao Congresso Nacional até 31 de agosto, dando as projeções para o ano seguinte.
- Ao longo de 2026, o presidente Lula anunciou uma série de medidas que não estavam originalmente previstas no projeto. Uma delas foi o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em cerca de 15%. Com isso, o valor mínimo do benefício passou de R$ 600 para R$ 691.
- Uma reportagem do jornal “Valor Econômico” apontou que as medidas anunciadas até o fim de setembro ainda não estavam em vigor quando o projeto foi elaborado e enviada ao Congresso Nacional. Para incluir essas novas despesas, o governo precisaria encaminhar ao Legislativo uma proposta de alteração do texto original.
- O valor citado por Flávio Bolsonaro como gasto do governo Lula em 2026 tem como referência o “Gastômetro”, levantamento do jornal “O Estado de S. Paulo” que apontava R$ 405 bilhões na atualização de 21 de outubro. Outros levantamentos, porém, indicaram valores diferentes.
- Em reportagem publicada em 24 de setembro, o “Valor Econômico” calculou que o pacote de medidas adotado pelo governo Lula em 2026 movimentou cerca de R$ 270 bilhões. O levantamento inclui crédito subsidiado, ampliação de benefícios, desonerações e subsídios.
- Já um cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estimou o valor em cerca de R$ 300 bilhões em 2026, segundo dados obtidos pelo jornal “O Globo”.
“Você [Lula] não atualizou a tabela SUS."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/2/o6S1ZOR2SoVipUgcZOyw/selo-leve-fake.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- O presidente Lula sancionou no dia 16 de janeiro de 2024 o projeto de lei que estabelece a revisão anual dos valores de pagamento dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A lei estabelece que a tabela do SUS passe a ser revisada todos os anos, no mês de dezembro, por meio de ato do Ministério da Saúde.
- Em 30 de dezembro de 2024, o Ministério da Saúde publicou duas portarias que formalizaram o primeiro reajuste.
- A primeira (portaria GM/MS nº 6.464) reajustou em 3,5% os repasses às entidades filantrópicas e acrescentou R$ 634,87 milhões ao limite financeiro de Média e Alta Complexidade de estados, Distrito Federal e municípios. De acordo com o texto, os valores precisam ser transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde em parcela única. Já a segunda (portaria GM/MS nº 6.465) atualizou os valores da Tabela SUS para procedimentos de atenção especializada, com um acréscimo de R$ 700,56 milhões.
- Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou uma portaria com um novo reajuste. O texto (portaria GM/MS nº 9.760) estabeleceu o repasse de R$ 200 milhões para incentivos contidos no reajuste de valores de procedimentos da Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS.
"Diferente do atual governo, que fala que o ladrão de celular não tem que ser preso porque é só para roubar uma cervejinha."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/2/o6S1ZOR2SoVipUgcZOyw/selo-leve-fake.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FAKE: Veja por quê:
- Lula não disse que criminosos roubam celular para tomar uma cervejinha. Essa alegação foi disseminada em um vídeo editado que faz parecer que o presidente deu essa declaração.
- O autor da manipulação extraiu dois momentos distintos de uma entrevista que Lula concedeu em 25 de agosto de 2017, em Pernambuco, e juntou as frases para criar a declaração falsa.
- No primeiro momento do registro verdadeiro, Lula disse: "Por que que aumenta o homicídio? Porque aumenta a pobreza. É uma coisa que está intimamente ligada. Ou seja, o cidadão teve acesso a um bem material, o cidadão teve acesso a uma casinha, o cidadão teve acesso a emprego. De repente, o cara perde tudo. Então, vira uma indústria de roubar celular. Para quê que rouba celular? Para vender. Para ganhar um dinheirinho. Então, eu penso que essa violência que está em Pernambuco é causada pela desesperança. Não tem nada, Laércio, que possa motivar mais um ser humano do que ele acreditar sonhando com alguma coisa boa. Sabe? Amanhã vai ser melhor, depois de amanhã vai ser melhor. Mas se ele não vislumbra esse mundo melhor, se ele não tem esse sonho, ele cai no desespero. Então é isso que nós temos que pensar".
- Depois, falou o ódio disseminado no país e responsabilizou os meios de comunicação: "É preciso distensionar, para a sociedade perceber que a torcida do Santa Cruz e do Sport não são inimigas. São adversárias durante o jogo. Depois vão para o bar tomar cerveja juntos. E ainda deixa o pessoal do Náutico batendo palma do lado".
- Em 13 de outubro de 2022, a ministra Maria Claudia Bucchianeri, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão de uma propaganda da campanha de Bolsonaro que utilizava a gravação manipulada. Na decisão, a magistrada afirmou que a declaração atribuída a Lula "jamais existiu nesses termos" e classificou o episódio como um "típico caso de grave manipulação discursiva". A decisão estabeleceu multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
"Você está se referindo a um projeto de lei que andou lá na Câmara, que um deputado apresentou uma emenda. Eu sou senador, isso não tem nada a ver com a Câmara, e isso sequer foi aprovado. Isso não existe, simplesmente não existe."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- A declaração foi dada por Flávio Bolsonaro após Lula questionar: "qual é a sua relação com a polícia que não permite você aceitar raspagem das balas?".
- O projeto de lei 3.723/ 2019 existe, passou pela Câmara dos Deputados e tramita no Senado. O PL foi aprovado pela Câmara em novembro de 2019 o que contradiz a expressão “não tem nada a ver com a Câmara”.
- Em uma subemenda substitutiva global de plenário constou o dispositivo na redação final que previa a revogação integral do art. 23 do Estatuto do Desarmamento.
- Esse artigo determina que todas as munições comercializadas no país devem possibilitar a identificação do fabricante e do comprador.
- Em seguida, o PL passou a tramitar no Senado, onde, de fato, ainda não foi aprovado.
- O projeto foi proposto pelo Poder Executivo em 2019, quando Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, era o presidente da República.
- Como senador, Flávio Bolsonaro se posicionou pelo menos duas vezes a favor do projeto.
- De acordo com um texto publicado em 2022 no site da Agência Senado, o Estatuto do Desarmamento determina que as munições comercializadas sejam acondicionadas em embalagens com sistema de código de barras, gravado na caixa, para possibilitar a identificação do fabricante e do comprador. O PL 3.723/2019 elimina essa exigência de marcação de munições e código de rastreio.
- Segundo as notas taquigráficas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 9 de março de 2022, Flávio Bolsonaro cobrou o fim dos adiamentos e defendeu votar o texto.
- Ele também publicou, em sua conta no Facebook, o seguinte post em 18 de dezembro de 2021: "Fala, pessoal! Alguns desinformados/mal-intencionados estão dizendo por aí que votei contra o PL 3723/2019, que amplia o acesso às armas, mas como votar contra algo que sou declaradamente a favor e que a votação sequer ocorreu?".
- Na entrevista concedida à Globo na sexta-feira (16), o candidato foi questionado pela apresentadora Renata Lo Prete sobre o tema. Ela perguntou: "No governo do seu pai, o senhor atuou para tentar aprovar no Senado um projeto que retiraria a marcação nas cápsulas de balas compradas para o uso das Forças de Segurança. Queria entender qual o sentido dessa medida, porque a eliminação desse registro compromete tanto a investigação de autoria de crimes quanto a possibilidade de descobrir como armas legais vão parar na mão do crime organizado. O senhor pode explicar essa posição?".
- Na resposta, ele falou: “Mais uma vez, eu vou tratar esses chefes de organizações criminosas, Comando Vermelho, PCC e milícias como narcoterroristas. Vão ficar, vão morrer presos na cadeia ou vão ser neutralizados pela polícia que enfrentarem. Isso é muito maior do que qualquer detalhezinho desse em cima de uma cápsula”.
- Na sequência, Lo Prete disse: “Entendi que fiquei sem resposta sobre a questão de retirar a marcação das munições”. Ao que o candidato declarou: “Mas isso é uma coisa muito menor, eu estou falando o que interessa”.
- Durante debate na TV Bandeirantes, em 18 de outubro, Flávio afirmou: "Nunca quis tirar nada disso" ao ser questionado por Lula: "por que você queria tirar a marca da bala, o número da bala, para que não fosse identificada?".
"São mais de 80 milhões de brasileiros que estão com as contas atrasadas."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Diferentes pesquisas acompanham o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras, mas utilizam critérios distintos.
- O levantamento mensal da Serasa, chamado Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, mostra que o país tinha 83,9 milhões de inadimplentes em agosto. Foi o maior número da série histórica, após 20 meses consecutivos de alta.
- Já o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil apontava 73,71 milhões de brasileiros com contas em atraso no mesmo mês.
- A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que 81,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em setembro. O percentual ficou abaixo dos 82% registrados em agosto.
- A PEIC, porém, faz uma distinção entre endividados (que têm contas a pagar) e inadimplentes (que têm dívidas em atraso). Segundo a CNC, 29,6% das famílias estavam inadimplentes em setembro, ante 29,9% em agosto.
- Em 2022, antes de Lula assumir seu terceiro mandato, o endividamento chegou a 77,9% das famílias, segundo a mesma pesquisa da CNC. Na época, esse era o maior percentual da série histórica, conforme mostrou o jornal "Valor Econômico", publicada em 19 de janeiro de 2023.
- O indicador de endividamento mede a parcela de famílias que têm dívidas a pagar, como parcelas do cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja. Isso significa que até quem parcela uma compra no cartão ou paga um financiamento em dia entra nessa estatística.
- Estar endividado, porém, não é o mesmo que estar inadimplente. A inadimplência ocorre quando uma dívida não é paga dentro do prazo. Dessa forma, uma família pode ter dívidas sem estar inadimplente, desde que mantenha os pagamentos em dia.
"Foi no governo do presidente Bolsonaro que nós anistiamos quase 99% das dívidas dos estudantes que concluíram o ensino superior. Foi o presidente Bolsonaro. Fomos nós que demos o maior reajuste da história para os professores, 33%."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- O Fato ou Fake apurou o histórico das políticas voltadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a legislação que estabelece as regras para o reajuste do piso salarial nacional do magistério.
- Em relação à anistia do Fies, o governo de Jair Bolsonaro publicou, no fim de 2021, uma medida provisória que permitiu a renegociação de dívidas, com descontos de até 99% do valor total devido, dependendo do tempo de atraso e de critérios socioeconômicos.
- Não é possível afirmar que o governo anistiou "quase 99% das dívidas dos estudantes". O percentual se refere ao desconto máximo oferecido a determinados estudantes com pagamentos em atraso. A medida não contemplava 99% dos estudantes, nem perdoava 99% das dívidas de todos os beneficiários do Fies.
- Sobre os salários de professores, em janeiro de 2022, foi anunciado um aumento de 33,24% no piso da educação básica, o maior reajuste percentual da série histórica. Esse aumento seguiu as regras da Lei do Piso do Magistério (Lei nº 11.738/2008), que estabelece critérios para a atualização anual do valor mínimo pago aos professores, com base no valor por aluno do Fundeb.
- O reajuste recorde ocorreu após um ano em que o piso não teve aumento. Em 2021, o valor ficou congelado em meio às restrições impostas durante a pandemia. Além disso, as mudanças nas regras do Fundeb, aprovadas pelo Congresso Nacional, ampliaram a participação da União no financiamento da educação básica.
"Os estados do Nordeste são administrados pelo PT e por seus parceiros. São os estados mais violentos do Brasil."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/t/W/ykUJXASXaLhygbvVceLA/selo-leve-fato.jpg)
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Dos nove estados do Nordeste, atualmente quatro têm governadores do PT: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Dois deles são governados por políticos do MDB aliados de Lula: Alagoas e Maranhão. A governadora de Pernambuco, do PSD, embora não seja oficialmente aliada do presidente, não faz oposição a ele. O governador de Sergipe integra o PSD, mas é aliado de Lula. Por fim, o governador da Paraíba, filiado ao PP, é outro aliado de Lula.
- As dez cidades com mais mortes violentas do Brasil estão no Nordeste, aponta o Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Cinco dos dez municípios estão na Bahia (governado pelo PT), outros três no Ceará (também pelo PT), um em Pernambuco (pelo PSD) e um na Paraíba (pelo Progressistas).
- A liderança do ranking permanece com Maranguape (CE), município mais violento em 2025: foram 100,3 mortes violentas intencionais cometidas a cada 100 mil habitantes, uma alta em comparação às 80 por 100 mil registradas em 2024.
"O [advogado] Willer [Tomaz] é meu amigo, não é meu sócio. O sócio dele é o seu advogado, é o ex-ministro da Dilma [Rousseff] chamado Eugênio Aragão."
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/D/S/rnfyQ0RC2dN0W6XKdIww/selo-leve-nao-e-bem-assim.jpg)
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
- O caso chegou à Corte depois que a Polícia Federal do Rio Grande do Sul, onde a investigação começou, encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como "usuário master" de uma conta da empresa Alcazar Holding, da qual Willer é proprietário.
- Para a PF, o cadastro dava a Flávio Bolsonaro “acesso operacional relevante” à conta bancária e “sustenta a hipótese de sua [de Flávio Bolsonaro] eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
- Os e-mails obtidos pela PF mostram que uma secretária de Tomaz, Fayla Menezes, escreveu para a agência bancária, em 22 de maio de 2025, pedindo para trocar o "usuário master" da conta da empresa Alcazar Holdings. "Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo", escreveu a secretária, listando em seguida um número e o nome de Flávio Bolsonaro e uma outra conta de Willer Tomaz. Pouco depois, o banco respondeu por e-mail: "As contas foram excluídas do contrato, co
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se