O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quinta-feira (22) a criação do "Conselho da Paz", em cerimônia no Fórum Econômico de Davos. Cerca de 60 lideranças mundiais foram convidadas para participar do órgão, inclusive Lula —que ainda não respondeu.
➡️ Entenda: o "Conselho da Paz" é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
Trump oficializou a criação do "Conselho da Paz" em cerimônia com outros 19 líderes de Estado nesta quinta-feira. No evento, o presidente norte-americano fez críticas à ONU.
Segundo o estatuto do conselho obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). Os recursos serão administrados pela Casa Branca.
A comunidade internacional, no entanto, teme que o Conselho de Paz vire uma espécie de "ONU paralela" e enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas
1. O que é o Conselho da Paz?
A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.
O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho.
2. Como a Casa Branca diz que irá funcionar?
O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros
A entidade "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza", anunciou a Casa Branca.
A proposta, no entanto, é vista com receio pela comunidade internacional e recebeu críticas de diplomatas e de analistas.
"É uma daquelas iniciativas que a gente fica se perguntando: quem é que planejou isso? E quem é que pensou que isso ia dar certo? Muitos analistas, e eu me incluo entre eles, estão absolutamente céticos sobre o que poderá acontecer com esse conselho”, avaliou o apresentador Marcelo Lins, no programa GloboNews Internacional neste domingo (18).
3. E como fica a ONU?
De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.
"É uma 'Nações Unidas de Trump' que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU", disse um deles.
O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que "um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz" é necessário e que é preciso "coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência".
Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.
"Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.", afirma Stuenkel.
4. Quem vai presidir o Conselho da Paz?
Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.
De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.
"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano", diz o documento.
5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?
Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:
- Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido
- Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza,
- Jared Kushner, genro de Trump
- Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial
- Marc Rowan, magnata financista americano
- Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional
As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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