O torcedor do São Paulo terá um domingo tranquilo. Mas não era esse o cenário que se desenhava na noite passada. As vaias ao técnico Roger Machado antes mesmo de a bola rolar eram um claro exemplo do clima no Morumbis: pressão depois de três jogos sem vitória e uma escalação ousada para enfrentar o Cruzeiro.
O São Paulo, depois de duas derrotas e um empate, entrou em campo na 10ª rodada do Campeonato Brasileiro com quatro atacantes e apenas dois volantes: Bobadilla e Marcos Antônio na marcação, com Artur, Luciano, Ferreira e Calleri no ataque. As previsões preocupadas antes de a bola rolar, porém, duraram pouco.
Em campo, o que se viu foi um São Paulo dominante. Mesmo diante de um adversário considerado forte, apesar de estar na zona de rebaixamento do Brasileirão, o time comandado pelo técnico Rogério Machado fez 4 a 1, voltou a subir na tabela de classificação e mostrou para o seu torcedor que é possível ter um ano nem oito nem oitenta.
Os resultados ruins com atuações também ruins nas últimas rodadas aumentaram a pressão, que já não era pequena, sobre Roger Machado. Ao ter seu nome anunciado pelo locutor do Morumbis, o treinador ouviu vaias.
Àquela altura, Roger Machado já havia definido que o São Paulo
iria a campo com o time mais ofensivo desde sua chegada ao clube. Artur de um lado, Ferreira do outro, Luciano na armação e Calleri mais à frente. A preocupação com tamanha ousadia, porém, foi em vão. O treinador estava certo.
O São Paulo criou suas primeiras chances antes mesmo dos 10 minutos do jogo, abriu o placar logo em seguida e rapidamente ampliou a vantagem. O primeiro tempo foi tranquilo. O forte ataque do Cruzeiro foi bem marcado pelos defensores do Tricolor. A única válvula de escape frequente era o lado esquerdo da defesa, diante da marcação de Wendell.
Depois do intervalo, a confiança, porém, voltou a dar lugar à preocupação. O Cruzeiro voltou melhor para o segundo tempo e diminuiu a vantagem. Ainda criou mais uma ótima chance, que parou numa defesa ainda melhor de Rafael. E foi só.
O São Paulo, numa noite perfeita da dupla Artur e Ferreira, logo levou o jogo de volta aos trilhos. O Tricolor ampliou sua vantagem com o camisa 11, que ainda marcaria o último gol da goleada por 4 a 1.
A atuação ruim de Wendell, inclusive, quase custou caro ao São Paulo. Provocado, o lateral-esquerdo revidou e levou o cartão vermelho. O juiz, corretamente, foi ao VAR, voltou atrás e aplicou o amarelo. Na sequência, Roger Machado tirou o jogador e colocou Enzo Diaz, claramente preocupado com o desenrolar da partida.
No fim, o jogo teve pouca emoção. Com o placar definido, o São Paulo
deixou o tempo passar. E os pouco mais de 90 minutos no Morumbis foram suficientes para que Roger Machado tentasse mostrar ao torcedor que a temporada tricolor pode não ter exageros.
Vai ser campeão brasileiro? Não se sabe. Pode vencer a Copa do Brasil ou a Sul-Americana? Pode, claro. Mas, se não vencer, é possível fazer campeonatos justos, bons, mesmo sem um troféu ao fim da temporada.
O São Paulo, que oscila como um time qualquer, vai ter muitos altos e baixos nos próximos meses. Mas nem todos os baixos precisam ser o fim do mundo e nem todos os altos precisam se tornar uma esperança desenfreada de título, deixando até a razão de lado.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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