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Quinta-feira, 22 de Outubro 2026
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Futebol / Corinthians

JUSTIÇA REJEITA ACUSAÇÕES DE LAVAGEM E CRIME TRIBUTÁRIO CONTRA ANDRÉS E EX-GERENTE DO CORINTHIANS

Andrés Sanchez e Roberto Gavioli são investigados pelo uso do cartão corporativo do Corinthians

JUSTIÇA REJEITA ACUSAÇÕES DE LAVAGEM E CRIME TRIBUTÁRIO CONTRA ANDRÉS E EX-GERENTE DO CORINTHIANS
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A 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu a segunda denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, e Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro . A dupla foi alvo em dezembro por suposta prática de crimes de lavagem de dinheiro e infrações tributárias no uso do cartão corporativo do Timão.

A informação foi divulgada pelo Blog do Paulinho e confirmada pelo Meu Timão. A juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro alegou "falta de justa causa" para ambos os casos, após três apontamentos do promotor Cassio Roberto Conserino. A única manutenção é a possibilidade de apropriação indébita em relação aos gastos, oriunda da primeira denúncia, que segue sob investigação. Em meio à solicitação de R$ 101 mil em ressarcimento, as irregularidades indicadas eram:

  • Em 9 de agosto de 2020, o cartão corporativo da presidência do Corinthians foi utilizado para a compra de móveis residenciais. A nota fiscal, no entanto, foi emitida em nome de Aurea Andrade Ramacciotti, pessoa que não possuiria vínculo com o clube.
  • Já em 17 de agosto de 2020, o cartão corporativo voltou a ser utilizado para a aquisição de eletrodomésticos em uma rede varejista, novamente com a nota fiscal emitida em nome de Aurea Andrade Ramacciotti.
  • Por fim, em 6 de setembro de 2020, segundo o Ministério Público, Andrés teria usado o cartão do clube para pagar um serviço de táxi-aéreo no valor de R$ 30,7 mil, contratado junto à empresa Helimarte Táxi Aéreo. Nesse caso, a nota fiscal foi emitida em nome do próprio ex-presidente, apesar de o pagamento ter sido feito com recursos do Corinthians.

De acordo com a magistrada, não há a existência da lavagem de dinheiro, pois não ocorreu reintrodução dos valores na economia formal, além de quaisquer intenções para mascarar o dinheiro. Os gastos, segundo ela, mesmo que para uso pessoal, "não demonstram a existência dos elementos necessários à configuração da lavagem de dinheiro".

No caso em análise, o autor teria se apropriado do dinheiro (suposto crime antecedente) da associação civil Sport Club Corinthians Paulista, simplesmente gastando/consumindo essas verbas em compras pessoais com o cartão corporativo. Veja-se que a conduta não constitui ocultação ou dissimulação dos valores com a finalidade de reinserção na economia formal, mas, tão somente, gastos/consumos, conduta que caracteriza o exaurimento da apropriação.

Tais circunstâncias não demonstram a existência dos elementos necessários à configuração da lavagem de dinheiro. De fato, falta a demonstração do citado elemento objetivo do ilícito penal"

Para o crime tributário, o embasamento da juíza é o Supremo Tribunal Federal (STF), em que não se configura tal comportamento ilícito "antes do lançamento definitivo do tributo". A decisão demonstra que não houve a certeza do lançamento do tributo, impossibilitando uma possível redução ou supressão tributária.

Esta foi a segunda acusação do MP-SP contra a dupla. Na primeira, Andrés e Gavioli, em outubro, foram denunciados também pelos crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário . A mesma magistrada rejeitou as duas últimas ocorrências , mas voltou atrás e suspendeu a decisão após pedido de suspeição por parte da promotoria, que acusava parcialidade no caso .

A investigação seguiu para a Câmara Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que vai decidir se a juíza é ou não suspeita — ela alegava estar apta para julgar as acusações. Entretanto, as medidas cautelas impostas a Andrés e Gavioli seguiram válidas, que são:

No início de outubro, Andrés Sanchez e Roberto Gavioli foram denunciados pelo Ministério Público por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário — o ex-gerente apenas pelos dois primeiros. Ao todo, são mais de 200 gastos em 31 faturas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, cujo pedido de ressarcimento é de R$ 480 mil aos cofres do Corinthians, a título de danos materiais , e 75% desse valor por danos morais, chegando a R$ 1,1 milhão.

Andrés não é o único ex-presidente réu no caso. A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou Duilio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, réu pelo crime de apropriação indébita . O ex-mandatário alvinegro é acusado de utilizar o cartão de crédito corporativo do clube para fins pessoais durante sua gestão, entre 2021 e 2023.

Relembre o caso

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023) em seus respectivos mandatos como presidentes do Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés , que admitiu as despesas pessoais , e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio . Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP .

Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo , segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O MP também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo (CD) e de Orientação (Cori).

O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação . Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação do Corinthians.

A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados . Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians.

Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão .

Dias depois, o MP-SP apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente . A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicitou o endurecimento imediato das restrições impostas a Andrés Sanchez, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.

Já em meados de fevereiro, a investigação apontou que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos . Há suspeita do MP-SP que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.

No início de março, a investigação ganhou um novo capítulo. O Ministério Público de São Paulo iniciou a apuração de uma movimentação suspeita de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo nas contas do Corinthians durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves . Os valores teriam sido entregues a um ex-funcionário do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo.

Segundo a reportagem, o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie entre março de 2018 e dezembro de 2023, sem a emissão de notas fiscais.

Paralelamente, Andrés, Duilio e Augusto são alvos de investigações internas do clube , que podem acarretar punições severas como suspensão e até a expulsão do Corinthians.

 

Fonte/Créditos: Meu Timão

Créditos (Imagem de capa): Meu Timão

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