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Domingo, 11 de Outubro 2026
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Política

'Armeiro' do Crime: investigação aponta cabo do Exército como fornecedor de armamentos e munições para facções criminosas

Segundo a investigação, militar mantinha parceria com integrantes do tráfico e abastecia grupos criminosos com armamentos. Polícia suspeita que material era desviado durante treinamentos militares e vendido a facções na Bahia.

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Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia revelou um suposto esquema de desvio de armamentos e munições do Exército para abastecer organizações criminosas. Segundo os investigadores, o cabo Deivison dos Santos Ferreira, lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, negociava munições, granadas e armas com integrantes do tráfico de drogas. As descobertas surgiram durante uma apuração sobre o narcotráfico na capital baiana.

As evidências foram encontradas após a análise de celulares apreendidos em uma operação realizada em abril, em uma casa utilizada para armazenar e preparar drogas em Itapuã, bairro de Salvador. Em um dos aparelhos, os investigadores localizaram conversas atribuídas ao militar oferecendo materiais de uso restrito e armamentos para criminosos.

O telefone que revelou a conexão pertencia a Gabriel Reis Oliveira, apontado pela polícia como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes facções criminosas. Segundo a investigação, era ele quem negociava diretamente com o cabo o material supostamente desviado.

Apesar de utilizar apenas um emoji para se identificar nas conversas, o militar teria fornecido dados pessoais, como CPF e chave Pix, para receber pagamentos. Essas informações ajudaram os investigadores a confirmar sua identidade.

De acordo com a Polícia Civil, somente para esse grupo criminoso o cabo teria vendido cerca de mil munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62. Também há registros de negociações envolvendo granadas, embora a quantidade exata desviada ainda não tenha sido identificada.

Prisões e novas suspeitas

 

Nesta semana, uma operação com a participação de 250 agentes resultou na prisão de 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa. Das detenções, 27 ocorreram em Salvador e na região metropolitana, duas no interior da Bahia, três em Sergipe e uma em São Paulo.

Um dos mandados de prisão tinha como alvo o cabo Deivison dos Santos Ferreira, mas ele já estava preso desde o mês anterior por determinação da Justiça Militar.

Em nota ao Fantástico, o Comando da Sexta Região Militar informou que o militar está preso preventivamente em investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos. Segundo o Exército, ele permanecerá custodiado em unidade militar à disposição da Justiça.

 

Suspeita de desvios durante treinamentos

 

A principal linha de investigação aponta que munições e granadas teriam sido desviadas durante exercícios militares. Conforme a apuração, o material que sobrava dos treinamentos deveria retornar ao paiol da unidade, mas parte dele teria sido retirada do controle oficial. Os investigadores suspeitam que registros eram alterados para ocultar as diferenças de estoque.

Em mensagens obtidas pela polícia, o militar faz referência a treinamentos realizados em Paulo Afonso, no interior da Bahia, e sugere que pretendia obter mais material após a atividade.

A investigação também identificou negociações envolvendo armas de fogo. Segundo a Polícia Civil, o cabo oferecia pistolas e fuzis a integrantes da organização criminosa, embora ainda não haja confirmação de que esses armamentos tenham sido desviados do Exército.

Apuração continua

 

Além de esclarecer a origem das armas e munições negociadas, os investigadores buscam identificar possíveis participantes do esquema. Em diferentes conversas analisadas, o cabo faz referência a outras pessoas envolvidas no fornecimento de granadas e munições.

Para a Polícia Civil, ainda é prematuro afirmar que outros militares participavam da organização criminosa. No entanto, essa hipótese não foi descartada e segue sob investigação.

Em nota, os advogados do cabo Deivison afirmaram que ele nega todas as acusações e que, no momento oportuno, todos os fatos serão esclarecidos. A defesa disse ainda que trabalha para revogar as prisões.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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