Três semanas após lesionar a panturrilha direita em jogo do Santos, na véspera da convocação para a Copa do Mundo, Neymar segue sem previsão de voltar aos treinamentos no campo, ficará de fora da estreia contra Marrocos no sábado e é preparado para iniciar a trajetória no Mundial apenas na segunda rodada, contra o Haiti, no dia 19. A projeção foi feita pela comissão técnica depois de um novo exame de ressonância magnética realizado ontem.
Com a transição para a preparação física em andamento, o camisa 10 deu o pontapé inaugural na segunda etapa de preparação iniciada em Teresópolis, no dia 27, quando realizou exames que constataram um problema mais sério do que o divulgado pelo Santos.
O protocolo da CBF, desde então, previa até um mês de recuperação plena, com progressão de carga física, que demandaria de Neymar um comportamento diferente: o astro precisaria ficar enclausurado em sessões de fisioterapia em dois períodos e intensificar os treinos físicos aos poucos, para não correr o risco de ter uma lesão reincidente e ser cortado da Copa.
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Em quase duas semanas no ambiente da seleção, viu-se um atleta disponível e dedicado, mais concentrado e sério do que de costume em seu clube. O comportamento mais discreto não tirou a alegria de Neymar, nem fez com que ele deixasse de ser referência para os demais jogadores que o pediram no grupo. O que mudou aos poucos foi a forma como o camisa 10 foi visto pela comissão técnica e parte da diretoria da CBF.
O homem do presidente
Nos bastidores, um entusiasta do craque voltou a chamar atenção pela tentativa excessiva de buscar proximidade com o atacante: do presidente Samir Xaud, que foi visto junto a Neymar até em sessões de fisioterapia, gerando olhares e certo desconforto.
Desde Teresópolis, o mandatário é figurinha repetida nas conversas das quais Neymar participa. E engatou algumas “resenhas” particulares, como a vista na beira do campo do Maracanã antes do amistoso contra o Panamá, em que Neymar confessou estar dentro de seu peso. Antes da partida, o camisa 10 também discursou aos jogadores como uma das lideranças, mas em tom coletivo que agradou.
Esse é o traço que tem sido positivo depois da conversa com Ancelotti e o coordenador Rodrigo Caetano antes da convocação. Na seleção, Neymar tem sido mais um, como ficou combinado. Até na divulgação do material da CBF, as aparições são mais raras e bem mais equilibradas do que no Santos.
No dia a dia, Neymar também conseguiu aos poucos desenvolver uma relação com Ancelotti e conquistar o italiano. O técnico, que sempre priorizou chamar jogadores para ter noção do lado pessoal, deixou para conhecer Neymar já na véspera da Copa do Mundo. E não demonstra arrependimento na convocação. O relacionamento com o Mister tem sido respeitoso e o técnico faz questão de dar ao atacante o peso de sua história, mas sem privilégios em relação aos demais.
A conduta é acompanhada de perto por Rodrigo Caetano e pelo gerente Cícero Souza, responsáveis por manter a disciplina no dia a dia. Mas Neymar tem sido atencioso com os funcionários em geral, e também se preocupado em retribuir ao carinho dos torcedores. A postura tem sido importante para um novo papel de Neymar, o de um líder fora de campo, não apenas técnico com a bola nos pés, o que contribuiu para a sua manutenção no grupo e a desconsideração da possibilidade de corte. Até agora, a nova faceta tem agradado. Resta saber se dentro de campo o camisa 10 conseguirá ter o protagonismo desejado.
Neymar desfalcou o Brasil no amistoso com Egito, no sábado. Ele sequer viajou com a delegação de Nova Jersey para Cleveland, para focar em intensificar o trabalho físico, com auxílio de alta tecnologia nos tratamentos. O jogador já havia ficado fora do amistoso com o Panamá, no domingo retrasado, no Maracanã. Naquela ocasião, porém, esteve junto do grupo, acompanhou a partida do banco de reservas e foi festejado por torcedores. Nos Estados Unidos, segue regime de concentração máxima, tendo saído do hotel no domingo apenas para jantar em uma churrascaria durante as horas de folga.
Fonte/Créditos: O Globo
Créditos (Imagem de capa): O Globo
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