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Após um ano, Favela do Moinho chega a 96% de desocupação com moradia digna e mais segurança para as famílias

Ação liderada pelo Governo de São Paulo vai requalificar a área da última favela do centro da capital, com recomeço em segurança e dignidade para os antigos moradores

Após um ano, Favela do Moinho chega a 96% de desocupação com moradia digna e mais segurança para as famílias
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O projeto para colocar fim à Favela do Moinho,

na região central de São Paulo, completa um ano neste mês de abril com mais de 800 famílias vivendo em novos espaços com segurança e dignidade. O reassentamento já alcança 96%, faltando menos de 40 imóveis para finalizar essa etapa do projeto liderado pelo Governo de São Paulo.

O recomeço das famílias foi fundamental para resgatar a dignidade de moradores que viviam em condições insalubres, convivendo com ratos e escorpiões, e em constante risco. O terreno altamente adensado, confinado entre duas linhas de trens, com apenas uma saída, deixava a população exposta a grandes incêndios, como os ocorridos na década passada. A Favela do Moinho sofria com forte atuação do crime organizado, o que afetava a liberdade das famílias constantemente coagidas por lideranças locais.

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“Um ano atrás, nós entramos no Moinho com um propósito claro: tirar as famílias do risco permanente de acidentes, de imóveis muito precários, de uma área insalubre e sob ameaça do crime. Muitos diziam que era impossível, que ninguém tinha coragem de mexer ali. Hoje, com gestão e diálogo, estamos muito próximos de finalizar a desocupação. São mais de 800 famílias que saíram de um lugar onde o Estado não entrava para morar em lares definitivos e dignos, com escritura e segurança”, afirma o governador Tarcísio de Freitas.

No total, foram realizadas 920 mudanças. Desde o início das desocupações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), foram concedidas também 72 indenizações, pagas pela prefeitura, a comerciantes afetados pelo processo. Deste total, 22 moravam no local e receberam também atendimento habitacional. Atualmente, 29 famílias permanecem no núcleo, aguardando atendimento pela Caixa Econômica Federal, banco que operacionaliza indenizações devidas pelo governo federal.

Com o reassentamento em fase final, a área antes ocupada pela Favela do Moinho será destinada a uso público. O local receberá um parque urbano e uma nova estação de trem, como parte das ações integradas de requalificação da região central, promovida em articulação entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo.

“Não vou sentir saudade [do Moinho]. O que eu sinto é alegria de sair para a minha nova casa”, disse a ex-moradora Eunice Barbosa dos Santos, de 81 anos, que viveu 22 anos na favela cercada pelas linhas de trem.

Cadastro

O processo de reassentamento do Governo de São Paulo foi baseado em escuta ativa, mapeamento detalhado dos moradores e garantia de escolha aos beneficiados. 

A etapa de cadastramento das famílias, essencial para assegurar um atendimento social responsável e transparente, foi concluída entre outubro e novembro de 2024. Pouco depois, em janeiro do ano seguinte, a CDHU inaugurou um escritório de atendimento na Rua Barão de Limeira, nas proximidades da comunidade. 

O espaço concentrou mais de 3 mil atendimentos antes mesmo do início das remoções e totalizou 10 mil atendimentos em um ano, com uma média de 12 atendimentos por família.

“O projeto teve início com um olhar para o centro da cidade como um todo, resgatando cada uma dessas histórias para preservar a vontade das pessoas. Fizemos mais de 3 mil entrevistas com os moradores antes mesmo de iniciar as mudanças, atualmente já passamos de dez mil atendimentos, e hoje temos quase a totalidade das famílias encaminhadas. Esse é um projeto estruturado, pensado e humanizado, em que as famílias escolheram onde e de que forma queriam morar”, afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.

Alta adesão

As mudanças começaram em 22 de abril de 2025 e avançaram rapidamente. Em 7 de maio daquele ano, mais de 100 famílias já haviam sido reassentadas para moradias dignas com acompanhamento permanente da CDHU. Cerca de dois meses depois, esse número já superava 440.

Para viabilizar o atendimento habitacional, a CDHU mapeou imóveis prontos ou em construção disponíveis no mercado. Antes do início das mudanças, cerca de 1,5 mil unidades foram disponibilizadas, mais de mil delas localizadas na região central, para atender moradores que preferiam permanecer na área. Outra alternativa oferecida foi a livre escolha de imóveis em qualquer município do estado, desde que dentro dos parâmetros do programa, com valor de até R$ 250 mil.

Os imóveis são gratuitos para famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil, de acordo com a parceria firmada entre o Governo de São Paulo e o Ministério das Cidades. Para famílias que optaram por unidades ainda em construção, foram concedidos caução inicial de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves.

“Quando se trata da Favela do Moinho, falamos da reposição do direito à moradia. Montamos um escritório especialmente para esse trabalho, com atendimentos individuais programados. As famílias foram convidadas com dia e horário marcados. A CDHU organizou toda a logística, incluindo agendamento, transporte e encaixotamento. Houve uma boa adesão dos moradores, o que também nos surpreendeu positivamente”, disse a superintendente social de Ação em Recuperação Urbana da CDHU, Viviane Frost.

Paralelamente, os imóveis desocupados passam por etapas sucessivas de segurança. Inicialmente emparedadas, as construções tiveram os bloqueios violados, o que levou a CDHU a adotar a descaracterização delas, com retirada de telhados, portas, janelas e outros elementos

Na sequência, à medida que as mudanças avançaram, as estruturas passaram a ser demolidas, pois passou a ser seguro fazer demolições sem que fossem afetadas as estruturas dos imóveis vizinhos. Atualmente, 738 imóveis já foram demolidos. A medida garante a integridade da área, evitando reocupações, e a segurança para as famílias e trabalhadores que circulam pelo local.

Fonte/Créditos: Agência SP

Créditos (Imagem de capa): Agência SP

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