A nova diretoria do Corinthians, empossada há pouco menos de um mês, descobriu contratos ampliados pelo presidente afastado Augusto Melo que considera serem lesivos ao clube. Para rompê-los, o Timão pode ter de pagar R$ 29,6 milhões de multa.
Três semanas antes de deixar a presidência, Augusto Melo assinou dois aditivos contratuais com empresas do grupo RF Segurança e Serviços, responsáveis pela limpeza e vigilância do Parque São Jorge. A informação foi noticiada inicialmente pela "Gazeta Esportiva".
Antes, os contratos tinham duração até o fim de 2026 (junto com o mandato de Augusto Melo) e para rescindi-los bastava pagar o equivalente a um mês de prestação de serviços. Com as alterações assinadas por Augusto, os vínculos foram prorrogados até junho 2030, e a multa para rompê-los passou a ser o valor total remanescente do contrato.
Ou seja: para encerrar os contratos agora, o Corinthians precisa arcar com o custo de todas as mensalidades até o meio de 2030.
A nova diretoria alvinegra alega que os aditivos não estavam nos sistemas do clube nem foram encontradas cópias nos departamentos jurídico e administrativo.
– Ao tomarmos posse, começamos a verificar empresas que prestavam serviços ao Corinthians, entre elas a de segurança e limpeza, que sempre foi alvo de questionamentos internos: de onde vêm, se estão regularizadas... Em paralelo, fizemos uma nova cotação no mercado, e o departamento administrativo escolheu uma nova prestadora – explicou o diretor jurídico Leonardo Pantaleão.
– Verifiquei nossos sistemas internos e não havia nenhum aditivo (com a RF). O que encontrei foram e-mails de 22 de maio em que mandaram três arquivos para análise do jurídico. Conversando internamente, falaram que o jurídico reprovou as condições apresentadas e que não assinou nada. Então, notificamos a empresa para romper o contrato. Logo na sequência, recebemos uma contranotificação dizendo que não era aquela a forma de rescindir, que existiam aditivos celebrados e que deveriam ser cumpridos – complementou Pantaleão.
Apesar do imbróglio, o Corinthians vai encerrar os contratos com a empresa sem o pagamento dos R$ 29,6 milhões e discutir juridicamente a validade dos aditivos. A nova diretoria também planeja responsabilizar Augusto Melo judicialmente e buscar ressarcimento do presidente afastado em relação a eventuais prejuízos ocasionados ao clube.
Por meio de nota (confira abaixo na íntegra), Augusto Melo lamentou o vazamento de informações internas e se defendeu:
– Se acham que há algum problema, basta não rescindir. Não há prejuízo algum em manter o contrato vigente até o fim do prazo pactuado, já que a empresa vinha fazendo um excelente trabalho e com um custo benefício significativo no mercado.
Saiba mais sobre o caso
Os aditivos contratuais foram assinados por Augusto Melo e pelo ex-diretor administrativo Ricardo Jorge na condição de testemunha. Eles não tiveram aval do então diretor jurídico, Vinicius Cascone.
Nas páginas também há rubricas cujos autores não foram descobertos até o momento.
– Ao analisar os documentos, verificou-se que o aditivo foi produzido fisicamente, fora dos sistemas oficiais do clube, utilizando um carimbo aparentemente diverso do usual e ostentando um visto jurídico cuja autoria não é reconhecida por nenhum dos profissionais que integravam o setor na época, o que reforça fortemente os indícios de tentativa de simular uma validação jurídica inexistente, e cuja autoria deve ser apurada – comentou o diretor jurídico Leonardo Pantaleão.
O Corinthians faz uma varredura interna a fim de averiguar se há mais casos desse tipo:
– O problema é que eu posso averiguar e não achar nada internamente, como foi neste caso. Mas tudo aquilo que for localizado como injustificável para o clube, será apurado nas vias específicas, tanto internamente, quanto na esfera civil e, quem sabe, criminal. Chegou a hora de tomar medidas radicais. O Corinthiansestá tentando se reerguer, e as pessoas estão multiplicando multas rescisórias e lesando o clube? – declarou Pantaleão.
Na análise do diretor jurídico, o Timão pode tentar invalidar esses aditivos contratuais com base na Lei Geral do Esporte. O caso deve ir parar nos tribunais em breve.
Ainda foi formulado um terceiro aditivo de contrato entre Corinthians e RF , referente a prestação de serviços na Neo Química Arena. Porém este documento não foi assinado.
Confira a nota oficial do Corinthians:
"O Sport Club Corinthians Paulista informa que desde que a gestão atual tomou posse no dia 26 de maio iniciou um processo de revisão dos contratos em vigência com a finalidade de melhorar a eficácia e de resguardar a regularidade dos serviços prestados ao clube.
No caso da empresa em questão, a atual gestão identificou cláusulas que lesam o clube financeiramente, além de assinaturas realizadas em processos fora do rito habitual dentro de um ambiente regido pela regularidade e pela governança.
O Corinthians reforça que acordos lesivos ao clube não terão continuidade e que irá adotar todas as medidas administrativas, cíveis e criminais cabíveis para anular o contrato com a empresa citada na reportagem, até porque o referido contrato foi assinado após as contas do presidente destituído pelo Conselho Deliberativo terem sido reprovadas por gestão temerária.
Da mesma forma, o Corinthians irá responsabilizar os envolvidos em mais um caso estarrecedor descoberto.
A gestão do presidente Osmar Stabile reafirma seu compromisso com o profissionalismo, com a ética e com os interesses maiores de todos os setores relacionados à Instituição Corinthians".
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte

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