A família tentava sair da cidade de Irpin, quando foi atingida por um bombardeio no domingo (6). Ele não estava no local no momento da explosão.
O vídeo registra um grande estrondo e, logo em seguida, os corpos de quatro pessoas no chão. São Tatiana e seus dois filhos, além de um homem que não faz parte da família e foi identificado como Anatoly Berezhnyi, de 26 anos. Alise tinha 9 anos e Nikita, 18.
Em entrevista ao jornal "The New York Times", Sergii relembra os últimos contatos com a família. O plano de fuga tinha sido discutido com a mulher, que era contadora em uma empresa de tecnologia, detalhadamente nos dias anteriores.
O programador estava, desde meados de fevereiro, em Donetsk, sua cidade natal, no leste da Ucrânia controlado pelos rebeldes, para cuidar da mãe, que estava doente com Covid-19. Por isso não acompanhou a família e se culpava por isso.
"Eu disse a ela: 'Me perdoe por não poder defendê-la'", lembra. "Eu tentei cuidar de uma pessoa, e isso significa que não posso protegê-la", conta sobre a conversa na noite anterior ao bombardeio. Foi o único momento em que Perebeinis chorou durante a entrevista.
Ele conta que Tatiana respondeu: "Não se preocupe, eu vou sair".
Sergii tentou monitorar a família com um aplicativo de geolocalização, mas eles estavam no porão, sem sinal, durante a noite anterior. Depois, ele viu que eles estavam em casa, mas não havia nenhum sinal de movimentação.
A próxima notificação do grupo foi em um hospital de Kiev. Ele tentou ligar, mas nenhum dos três atendeu.
Foi quando soube pelo Twitter que uma família havia sido morta em uma ataque de morteiro na rota de evacuação de Irpin.
Logo depois, ele viu um post com a foto deles no chão. "Eu os reconheci pela bagagem", diz Perebeinis.
Mesmo que sejam imagens fortes, ele acha importante o registro fatal de sua família em fotos e vídeos. "O mundo inteiro deveria saber o que está acontecendo aqui".
Os pais de Tatiana também tentavam fugir com a filha e os netos, mas estavam alguns metros atrás e saíram ilesos.
Antes da entrevista ao jornal norte-americano, Sergii fez vários posts sua família.
"Levaram todos eles. Tania [apelido de Tatiana] não suportou. Por que isso para mim? Quem é o próximo? Estou no caminho. Devo vê-los uma última vez. Perdoem-me, eu não os protegi", escreveu.
O marido fez ainda um post contando que o cachorro da família, que havia sobrevivido inicialmente à explosão, foi levado a um veterinário e teve uma pata amputada, mas acabou morrendo.
"Obrigado ao jornalista que mostrou humanidade", escreveu sobre uma foto que mostra um repórter carregando o cão ferido após o ataque.
"Infelizmente o meu bom amigo voou para eles agora. 11 anos de emoções que você nos deu. Havia esperança de que pelo menos alguém ficasse. Mas vamos todos", escreveu sobre o cãozinho.
Andriy Dubchak, um jornalista que registrou o ataque, disse no Facebook que Sergii e Tatiana vinham da região de Donetsk e fugiram da guerra entre separatistas russos e forças ucranianas, iniciada em 2014, para viver na região de Kiev.
Fonte/Créditos: globo.com
Créditos (Imagem de capa): globo.com

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