A linha de crédito para financiamento de compra de veículos para motoristas de aplicativos deve ter prazo de até 72 meses (seis anos). Havia uma discussão no governo para que o crédito pudesse ser de até dez anos, mas prevaleceu a posição de que um prazo tão elástico poderia diminuir o interesse dos bancos em operar os recursos. Isso porque, como o veículo é a garantia da operação, um prazo muito elástico ampliaria muito o risco para as instituições repassadoras do crédito.
A linha não deve ter restrição de acesso para inadimplentes. Os recursos serão do Tesouro Nacional para o BNDES, que atuará por meio da rede bancária, que assume o risco. O volume disponível deve ser de até R$ 30 bilhões, montante que pode levar ao atendimento de cerca de 250 mil pessoas, em estimativas preliminares do governo.
Como O GLOBO mostrou na semana passada, deverá ser estabelecido um critério de corte para o acesso à linha de crédito, uma exigência de pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses, o que representa mais ou menos duas corridas por semana. O objetivo é garantir que o acesso seja para pessoa com habitualidade na profissão, mesmo que não trabalhe todos os dias, mas evitar que a partir do anúncio da linha haja uma corrida para cadastramento em plataformas para se buscar o crédito mais barato.
Além dos motoristas de aplicativos a linha de financiamento deve beneficiar também taxistas. Os dois grupos poderão comprar veículos de até R$ 150 mil de qualquer natureza. O valor se insere numa faixa de corridas de categoria superior, que têm maior rentabilidade para o motorista, e colocaria à disposição cerca de 60% dos veículos oferecidos no país atualmente.
A taxa de juros será abaixo da Selic. A tendência era de ser em torno de 12% ao ano, mas ainda há chances de ficar abaixo disso até o anúncio, como forma de tornar o financiamento mais acessível.
Embora ainda possa tomar outras medidas, especialmente para o enfrentamento do choque derivado da guerra no Oriente Médio, o anúncio a ser feito nessa semana deve ser o último grande da programação de iniciativas que o governo tinha para reforçar sua aprovação. E deve ser a única diretamente voltada para esse público de aplicativos, categoria com a qual a administração petista tem tido enorme dificuldade de se comunicar.
Fonte/Créditos: O Globo
Créditos (Imagem de capa): O Globo

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