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Quinta-feira, 05 de Novembro 2026
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São Paulo

Loja de vestidos de festa em SP troca manequins de vitrine após denúncia de racismo

Primeira vitrine tinha figuras negras vestidas com aventais, em posições que simulam servir ou atender manequins brancos que usam vestidos de festa. Depois, loja Arthur Caliman incluiu manequins brancos simulando atendimento. Para Observatório da Branquitude, não basta trocar vitrine, é preciso reconhecer o racismo.

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A loja de vestidos de festa Arthur Caliman, na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, trocou sua vitrine após ser alvo de denúncia de racismo.

Como mostrou o g1, a disposição dos manequins chamou a atenção por apresentar figuras negras vestidas com aventais, em posições que simulam servir ou atender manequins brancos que usam vestidos de festa.

Na então vitrine, não havia manequins negros usando vestidos de festa, nem manequins brancos representados na função de servir ou atender outros. Com isso, a loja é alvo de uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo (MPSP) na terça-feira (3) e está sendo analisada pela Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social.

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A loja afirmou que após ser contatada pela reportagem, substituiu o manequim da vitrine. Com isso, incluiu dois manequins brancos também simulando um atendimento a mulher branca com vestido de festa.

A Arthur Caliman também afirmou que repudia qualquer forma de racismo e discriminação (leia abaixo).

Para Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, "não basta em 2027 retirar os manequins ou publicar uma nota de desculpas, é preciso que a marca reconheça o racismo e assuma compromissos concretos de mudança."

"O que a vitrine exibiu não é um erro de composição, e sim a materialização de uma hierarquia racial que estrutura a sociedade brasileira desde a escravidão. Corpos brancos aparecem em vestidos de festa, no lugar da celebração, do consumo e do prestígio. Corpos negros aparecem de avental, no lugar da servidão. É a cena colonial reencenada em pleno centro comercial, como se fosse natural."

"Uma vitrine nunca é neutra, existe uma literatura antiga sobre isso desde a semiótica até os profissionais de visual merchandising, e aqui ela está definindo quem é o sujeito do luxo e quem é seu cliente imaginado. Quando uma marca renomada faz essa escolha, ela mobiliza poder simbólico, o poder de dizer, sem precisar dizer em palavras, quem pertence a cada lugar. É isso que chamamos de privilégio simbólico da branquitude: a brancura apresentada como norma, como beleza, como o padrão de humanidade que merece ser servido", afirmou.

"Tem uma intelectual, Grada Kilomba, que nos ajuda a entender esse mecanismo quando mostra que o racismo cotidiano é memória colonial que segue sendo atualizada no presente. A vitrine encena exatamente isso: a branquitude no centro, a negritude como apoio e cenário. Acompanhamos com atenção a representação protocolada no MPSP e esperamos que o caso seja tratado com a seriedade que exige."

O advogado Hédio Silva Jr., fundador do Jusracial, que atua há mais de 28 anos na defesa da igualdade racial e dos direitos das religiões afro-brasileiras, criticou a composição da vitrine.

Para o advogado, a disposição dos manequins transmite uma mensagem que associa pessoas negras a posições de inferioridade social.


"Com base nessa suposta inferioridade genética, são distribuídos lugares sociais. Uma mensagem que induz, incita, encoraja, faz apologia, rigorosamente induz as pessoas a praticarem a discriminação racial. Sem dúvida nenhuma, um crime racial na sua forma mais nua e crua", disse.


"Olha, sem dúvida nenhuma, esta representação, que é mais do que representação, é uma projeção de um lugar de subalternidade da população negra, sempre servindo, subserviente, serviçal de brancos. Ela reproduz um núcleo essencial do racismo, que é a inferioridade, a condição sub-humana que é atribuída à população negra", afirmou.

O que diz a loja


Em nota, a Arthur Caliman afirmou que a escolha dos manequins das vitrines varia e que, na maioria das vezes, eles são selecionados para valorizar o contraste com a cor das roupas expostas.

Segundo a empresa, foi o que ocorreu na vitrine registrada pela reportagem, que combinou manequins pretos com trajes brancos e um manequim branco com vestido azul-escuro.

A loja também afirmou que a vitrine anterior era composta inteiramente por manequins pretos com vestidos claros.

"Jamais houve a intenção de transmitir qualquer mensagem de cunho racial. Lamentamos o desconforto causado e, assim que recebemos o contato da reportagem, substituímos o manequim da vitrine", declarou.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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