A exumação dos corpos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, que aconteceu nesta segunda-feira em Guarulhos, tornou-se ainda mais emocionante para os familiares presentes na cerimônia devido a objetos pessoais encontrados sobre os caixões. Além de uma jaqueta colocada sobre o ataúde do vocalista Dinho, uma pelúcia foi encontrada no de Bento Hinoto, segundo o primo do artista e CEO da marca ligada à banda, Jorge Santana.
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Ao GLOBO, ele enviou com exclusividade fotos do ursinho. Segundo Claudia Hinoto, cunhada de Bento, um familiar colocou a pelúcia sobre o caixão.
— Ele estava praticamente intacto, um pouco sujinho de terra só. Provavelmente ele ficará no Memorial. Não me lembro exatamente, mas acho que foi a mãe dele que colocou. Ela queria ter colocado a guitarra dele, mas por medo de violação da sepultura, acabou não deixando — afirmou.
O ursinho será higienizado para exposição no Memorial da banda. A esposa de um irmão de Bento contou que o processo de exumação foi delicado e emocionante, com memórias sendo vivenciadas novamente pelos familiares presentes.
— É um projeto muito bonito, porque a árvore é o símbolo da vida. Então nada mais bonito que ter uma essência dos meninos nessas árvores. Para nós, o Alberto era o cunhado, o irmão, o filho, mas para o público, era o Bento — concluiu.
A mãe de Bento, Toshiko Hinoto, faleceu meses atrás. O pai de Dinho, Hildebrando Alves, esteve presente na exumação. Segundo ele, a fé em Deus, a ajuda dos fãs e a 'coragem de enfrentar a vida' foram cruciais para enfrentar os momentos difíceis. Ao GLOBO, ele também refletiu sobre a inspiração para a composição de sucessos da banda.
— Nesses 30 anos, compreendemos que a vida é assim, vamos todos morrer um dia. A inspiração do Dinho sempre foi a fazenda em que olhava o gado; para o 'Mundo Animal', eu acho que se baseou nisso.
Relembre a trajetória dos Mamonas Assassinas
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Após a exumação, os corpos serão cremados e transformados em adubo para plantar cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, a cidade onde moravam, revelou o colunista Ancelmo Gois.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos. O projeto prevê a cremação de uma pequena parte dos restos mortais, que será transformada em adubo para o plantio de cinco árvores, uma para cada integrante. Segundo Santana, a proposta foi discutida e aprovada em conjunto pelas famílias. O memorial funcionará como uma extensão das sepulturas, que continuarão preservadas e abertas para visitação gratuita.
— O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR Code e um ‘cantinho Mamonas’. Tudo continuará gratuito — afirmou ao GLOBO.
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De acordo com o cemitério, as cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis junto às sementes escolhidas pelas famílias. O desenvolvimento das árvores poderá ser acompanhado por uma plataforma digital desde a germinação até o plantio definitivo no local. Cada árvore terá identificação e um totem com QR Code reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os integrantes, com a proposta de transformar o espaço em um ponto de encontro para fãs.
A morte dos integrantes completa 30 anos na próxima segunda-feira. No sábado de 2 de março de 1996, os músicos Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli voltavam de um show em Brasília num jatinho Learjet modelo 25D, prefixo PT-LSD, fretado pela banda.
Eram 23h15 quando a aeronave se chocou na Serra da Cantareira, ao Norte de São Paulo, numa tentativa de arremetida. Além dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas, o acidente matou o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Takeda, o ajudante de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto.
Os Mamonas Assassinas estavam no auge. A irreverência de seu "rock cômico", com letras e visual escrachados, conquistara o Brasil. O primeiro e único disco, com o nome da banda, havia sido lançado em junho de 1995 e, nos oito meses seguintes, teve 1,8 milhão de cópias vendidas (no total até hoje, foram 3 milhões de cópias, o terceiro maior êxito comercial entre artistas nacionais em todos os tempos). O grupo vinha fazendo shows no Brasil todo e viajaria para se apresentar em Portugal ainda na primeira semana daquele mês.
O show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, seria o último da turnê no Brasil, antes de a banda se concentrar em seu segundo disco. Os Mamonas tocaram para um público de cerca de 4 mil pessoas, na maioria crianças e adolescentes.
Vestindo uma fantasia de coelhinho de pelúcia, Dinho cantava e dançava com a energia de sempre. Ao fim da performance, o cantor desceu ao gramado da arena e agradeceu. Em seguida, foram todos direto para o aeroporto e trocaram de roupa no carro, como fizeram muitas vezes antes.
Fonte/Créditos: A Globo
Créditos (Imagem de capa): A Globo

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