O relógio começou a correr para Luís Castro no momento em que o árbitro Raphael Claus apitou o fim da derrota do Grêmio para o Vasco, na tarde de sábado, pelo Brasileiro. Praticamente 24 horas depois, o clube gaúcho já havia acertado a volta de Renato Portaluppi.
A demissão de Luís Castro foi anunciada quase 20 horas após o final da partida, mas foi arquitetada e sacramentada já no sábado, em reuniões na Arena. Na manhã de domingo, o treinador foi informado da decisão de maneira cordial.
O técnico português não resistiu à derrota de virada na Arena diante de um adversário direto. O Grêmio tem somente sete vitórias no Campeonato Brasileiro, 35% de aproveitamento e 28 pontos, colado no Z-4. Esse contexto, de resultados complicados e briga contra o rebaixamento, com a restrição da torcida a Castro, pesaram para a decisão.
A volta de Renato
O nome de Renato apareceu naturalmente no contexto gremista depois da demissão de Luís Castro. O ídolo foi contatado no início da tarde e no início da noite já havia acertado os termos para voltar ao Grêmio até dezembro. O presidente Odorico Roman já havia trabalhado com o ídolo.
Inicialmente, houve uma dificuldade financeira pela pedida, distante dos valores que o Grêmio ofereceu. O Tricolor queria pagar a Renato menos da metade do que pagava a Luís Castro. Mas houve o acordo com um denominador comum e o acerto de bônus por metas estipuladas. O empresário Gerson Oldenburg tocou a negociação com o departamento de futebol.
A comissão técnica precisa ser remontada, já que o Grêmio não tinha profissionais próprios na equipe de Luís Castro. O preparador físico Rogério Dias, o Rogerinho, que estava na base, volta para o time profissional. O auxiliar Alexandre Mendes acompanha Renato, que também pode ter o auxiliar Marcelo Salles, atualmente no Botafogo.
O coordenador técnico Felipão foi anunciado como técnico interino no jogo com o Botafogo, nesta quarta, mas a situação será ainda confirmada nesta segunda. Existe a possibilidade de Renato comandar o time no Rio. Outro ponto que causa curiosidade: como será o trabalho do executivo Paulo Pelaipe com o Renato. Os dois nunca trabalharam juntos.
A demissão no CT
Embora o anúncio da demissão tenha ocorrido apenas no domingo, a definição já estava encaminhada desde a noite de sábado. As reuniões na Arena costuraram a decisão da cúpula gremista.
Ainda assim, Luís Castro cumpriu normalmente os compromissos do dia seguinte. A reapresentação do elenco ocorreu pela manhã, com treinamento marcado para as 11h no CT Luiz Carvalho. Luís Castro compareceu às atividades e comandou o treino.
Os dirigentes chegaram mais tarde, por volta das 11h. As conversas se intensificaram ao longo da manhã. Pouco depois, a decisão foi formalizada. Por volta das 13h, o Grêmio comunicou oficialmente a saída do treinador.
Conforme apurou o ge, Luís Castro foi comunicado da decisão cordialmente no CT Luiz Carvalho pelo departamento de futebol, na figura do vice de futebol Rafael Lima e do executivo Paulo Pelaipe.
O técnico ouviu que o Conselho de Administração havia decidido pela mudança, ouviu agradecimentos pelos serviços e foi dispensado. Não houve, por exemplo, conversas mais burocráticas como o pagamento da rescisão. O Grêmio precisa pagar o restante do contrato – 17 meses de salários – e, com o passar dos dias, o valor sofre acréscimo de juros e multa, conforme apurou o ge.
Nos bastidores, Luís Castro havia afastado pessoas do convívio do CT Luiz Carvalho e fechado o máximo possível o dia a dia do clube desde o início do ano. Queria ao máximo se fechar máximo entre os seus. Funcionários foram realocados, por exemplo, por pedido do técnico.
O clima nas primeiras horas após a derrota
O pós-jogo do Grêmio foi de tensão. O zagueiro Kannemann deixou o gramado visivelmente irritado. No caminho para o vestiário, demonstrou descontentamento e chutou uma lixeira. Esta tensão também se estendeu pelos corredores internos da Arena.
O ge apurou que, logo após a partida, houve uma reunião no vestiário gremista com a presença do presidente Odorico Roman, do vice de futebol Rafael Lima e do executivo Paulo Pelaipe. O encontro durou quase uma hora. Somente depois disso Luís Castro seguiu para a entrevista coletiva.
O treinador apareceu abatido. Em um dos momentos mais tensos desde a chegada ao clube, discutiu com um repórter e também se recusou a responder uma pergunta feita por um veículo identificado com o clube.
Nos bastidores, Luís Castro estava muito incomodado com o tom das críticas recebidas. O treinador entendia que havia notas de xenofobia em manifestações de produtores de conteúdo identificados com o Grêmio e jornalistas.
Castro entendia que o uso de termos como "técnico nojento", "samambaia" e "infeliz" passava dos limites. Por isso, resolveu não responder um dos questionamentos.
Outro sinal importante surgiu justamente na ausência dos dirigentes. Diferentemente de momentos anteriores de pressão, nenhum integrante da cúpula do futebol gremista concedeu entrevista depois da derrota para o Vasco. O silêncio da direção foi interpretado internamente como mais uma demonstração de que a confiança no trabalho de Luís Castro havia se esgotado.
Último voto de confiança foi no Gre-Nal
O último prazo dado a Castro havia sido exposto publicamente antes dos confrontos decisivos contra o Inter pelas quartas de final da Copa do Brasil. O entendimento era de que os Gre-Nais e o jogo contra a Chapecoense, pela 25ª rodada do Brasileirão, seriam determinantes para a continuidade do técnico.
O treinador atingiu os objetivos estabelecidos naquele momento e conseguiu sobreviver. Ainda assim, a sustentação interna ficou abalada. O que restava de respaldo praticamente desapareceu nos dois compromissos seguintes.
Primeiro veio a derrota para o Vitória, no Barradão. Depois, o tropeço mais pesado. Diante de mais de 34 mil torcedores na Arena, o Grêmio abriu o placar contra o Vasco, mas sofreu a virada em confronto direto e viu a pressão atingir o nível máximo. Pontuação de Z-4 e fim da linha para Castro.
Fonte/Créditos: GE
Créditos (Imagem de capa): GE
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