Assim que o nome de Jhon Arias soou no sistema de som do estádio, os gritos na arquibancada do Palmeiras se destacaram. Mas antes mesmo do barulho, um grupo de quase 20 pessoas entre as cadeiras já era inconfundível, pela bandeira e a camisa branca com o rosto do atacante estampado.
Eram a mãe, irmãos, tios, tias e primos de Arias, em casa, para ver o colombiano jogar.
-Sempre sonhei em vê-lo em um campo jogando. Sinto que foi algo que sonhei e estou vivendo agora. É uma emoção que não tem explicação – conta a mãe, Mônica, ao ge, deixando-se suspirar enquanto vê o filho subindo ao campo naquela noite pela primeira vez.
Titular no empate por 1 a 1 com o Junior Barranquilla, Arias cresceu em Quibdó, no departamento de Chocó, um dos mais pobres da Colômbia, e a família hoje vive em Cartagena, onde o Palmeira estreou na Libertadores de 2026. Não à toa, considera a cidade como uma segunda casa.
Casou-se com a esposa Alejandra em Cartagena e virou até alvo de brincadeira na concentração do hotel, por ter casa a minutos de onde a delegação esteve hospedada. "Dorme no hotel ou em casa?".
O reencontro estava no pensamento da família antes mesmo do sorteio dos grupos.
– Desde o primeiro minuto sempre quis que fosse Palmeiras contra Junior – admite o irmão, Wichili, abrindo um sorriso.
– No dia estávamos em casa todos juntos vendo o sorteio. Quando saiu, liguei para ele e disse: irmão, você vem para Cartagena, fiz uma brincadeira, ele riu, e disse: sim, nos vemos em breve. Chamei também vários amigos que jogam no Junior e disse: vão jogar contra meu irmão, que ganhe o melhor.
Ainda na noite de terça-feira, a mãe, o marido Omar, os irmãos Andrés e Wichili, a cunhada Maria Paula e um dos melhores amigos, Marvi, foram ao hotel encontrar o atacante.
Um dia depois, o grupo triplicou de tamanho. Empurrou Arias e o time alviverde do início ao fim, aplaudindo substituições, o gol, marcado por Ramón Sosa, e vendo o camisa 11 entregar-se até o último minuto com arrancadas pela esquerda para tentar a vitória que dessa vez não veio.
– Queria vencer para dar o presente para eles, minha família aqui é especial – disse o atacante após a partida.
E Arias fez questão de deixar esse sentimento evidente. Na saída do estádio Jaime Morón León, por exemplo, enquanto os atletas deixaram o vestiário virando à esquerda, na direção do estacionamento, Arias caminhou no sentido oposto.
Foi encontrar a família e rapidamente se viu entre o aglomerado próximo ao portão de entrada da área de entrevistas do estádio, formado por parentes, mas também torcedores até do Junior Barranquilla, distribuindo fotos e abraços, principalmente com o primo mais novo presente.
Alguns poucos ainda seguiram com o ônibus até o hotel, de onde saíram a meia noite, no horário local, a caminho do aeroporto.
Arias, que planeja reencontrar a mãe em São Paulo na próxima semana, quando enfrenta o Sporting Cristal, despediu-se, e foi o último jogador a deixar o saguão de entrada.
– Vamos nos falando, certo?
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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