A terça-feira, 21, será de grande suspense nos Estados Unidos. Todo o noticiário do país e internacional foca em um possível indiciamento do ex-presidente Donald Trump em Nova York, acusado de ter comprado o silêncio, em 2016, de uma atriz pornô com quem teria tido uma relação. Trump, que nega a acusação, diz se tratar de uma “caça às bruxas”, e convocou seus apoiadores a apoiá-lo. Se ele for indiciado, será a primeira vez que um presidente ou ex-presidente dos EUA enfrentará acusações criminais.
Segundo a AFP, mais de uma dúzia de agentes do Departamento de Polícia de Nova York se reuniram neste fim de semana com autoridades de segurança do prefeito de Nova York, o democrata Eric Adams, em antecipação a possíveis protestos, de acordo com The New York Times. Isso porque Trump disse no sábado, 18, na rede social Truth Social que será "preso" nos próximos dias e convocou seus apoiadores.
Diante do temor por possíveis tensões, inclusive com violência, a polícia nova-iorquina respondeu à AFP que “seu estado de preparação é uma constante em todo momento e em todos os casos” e que está “coordenando” com o FBI (polícia federal americana) e a promotoria de Manhattan.
Para Trump, trata-se de uma “caça às bruxas”. Ele alega que o evento investigado já prescreveu há dois anos. “E o mais importante, NÃO FOI CRIME!”, escreveu nesta segunda-feira, 20, na Truth Social.
Trump pode ser preso?
O bilionário de 76 anos, que mudou de forma persistente o equilíbrio dos poderes nos EUA, voltou nesta segunda a atacar, por meio da Truth Social, a atuação do promotor Alvin Bragg, que chamou de “corrupta”. O promotor negro e democrata foi eleito pela população, como todos os juízes e promotores no país.
A advogada de Trump, Susan Necheles, denunciou no sábado à AFP uma “perseguição política” contra seu cliente.
Segundo a AFP, o caso de Stormy Daniels é juridicamente complexo. A Justiça tenta esclarecer se Trump é culpado de falso depoimento (uma infração) ou de infringir a lei de financiamento eleitoral (uma ofensa criminal) ao pagar 130 mil dólares a Stephanie Clifford, verdadeiro nome de Daniels, semanas antes das eleições de 2016, segundo a acusação.
Na semana passada, a investigação se acelerou. Michael Cohen, ex-advogado e agora inimigo do republicano, responsável por entregar o dinheiro a Daniels, e a atriz prestaram depoimento perante um grande júri, cujo veredito pode levar a uma acusação.
Trump também foi chamado a falar a esse júri. Outro de seus advogados disse que ele “compareceria” no caso de uma intimação do tribunal nova-iorquino. “Os promotores quase nunca convidam o alvo da investigação a depor ante o grande júri a menos que tenha a intenção de acusá-lo”, explicou à AFP o ex-promotor e professor de direito Bennett Gershman.
De acordo com o advogado Renato Mariotti, também ex-promotor de Nova York, é provável que, no caso de um indiciamento, Trump, que vive em sua mansão de Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, compareça voluntariamente ao tribunal de Manhattan.
Mas por razões de segurança e para evitar “um espetáculo”, é “provável que não chegue ao tribunal pela porta principal”, apontou Robert McDonald, professor de direito penal e ex-agente do Serviço Secreto, que protege os presidentes dos Estados Unidos.
Medo de ataques
O maior medo das autoridades é uma repetição do caos do ataque ao Capitólio, sede do Congresso em Washington, em 6 de janeiro de 2021, quando Trump incitou seus apoiadores a ignorar os resultados das urnas, que deram a vitória nas presidenciais do ano anterior ao democrata Joe Biden.
No domingo, vários caciques republicanos manifestaram apoio a Trump, em particular seu ex-vice-presidente, Mike Pence, que rompeu com o magnata em 2021, e com quem poderia competir nas primárias pela indicação republicana às eleições de 2024.
Daniels se reuniu com os promotores na quarta-feira, 15, e "concordou em estar disponível como testemunha ou para uma maior investigação, se necessário", segundo seu advogado Charles Brewster.
Fonte/Créditos: exame.com

Comentários: