No comando de Mirassol e Corinthians que se enfrentam domingo, às 20h30, no Maião, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, estão um técnico reconhecido por campanhas surpreendentes e outro famoso pela filosofia do jogo funcional. Cada um à sua maneira, Rafael Guanaes e Fernando Diniz escrevem suas histórias no futebol, mas com vantagem recente do primeiro sobre o segundo.
O Leão de Guanaes tem 100% de aproveitamento contra Diniz, que até fevereiro treinava o Vasco. Foi sobre o cruz-maltino uma das duas únicas vitórias do time neste Brasileirão, de virada, por 2 a 1, na primeira rodada, antes da sequência de tropeços que colocou o Mirassol na zona do rebaixamento. Após deixar São Januário, Diniz foi contratado pelo Corinthians em abril.
Já no Brasileirão de 2025, em que o Mirassol fez campanha histórica e terminou em quarto lugar, indo à Conmebol Libertadores, foram duas vitórias. Na 18ª rodada, no Maião, por 3 a 2, imprimindo ao adversário o sétimo jogo sem vencer; e na 36ª rodada, por 2 a 0, em pleno São Januário, que lhe valeu a vaga direta à fase de grupos da competição continental e, aos cariocas, um novo capítulo na luta contra o rebaixamento.
Respeito pelas ideias
No final do ano passado, em entrevista ao Abre Aspas do ge, Guanaes foi perguntado sobre qual o treinador mais difícil de enfrentar no Campeonato Brasileiro, e que mais lhe exigiu "queimar a mente". A resposta: Fernando Diniz.
— No Brasileiro foi, com certeza, o Diniz. O jogo aposicional vai te colocar situações no campo que os jogadores não estão acostumados. Principalmente para a gente implementar a nossa ideia de jogo. Você pode dar a bola para eles. Só que, quando o adversário consegue fazer isso com você porque é melhor, aí tudo bem: vamos sofrer na trincheira, faz parte. Agora, no que cabe a nós, é tentar aqui, tentar ali, para também termos nossos momentos de posse, seja através da pressão, seja neutralizando determinadas situações. Sempre penso em equilíbrio. Para podermos implementar nossa forma de jogar e não simplesmente reagir ao que o adversário propõe. O Vasco foi uma dessas equipes que mais exigiu e mais dificultou. Lembro da primeira.
Em outro ponto da entrevista, Guanaes defendeu o então técnico do Vasco, que vivia um momento de contestação do trabalho pela falta de resultados.
— Essa é uma ótima questão. Os clubes que contratam o (Fernando) Diniz precisam entender o que isso vai gerar. O gestor muitas vezes sabe, mas o torcedor não necessariamente vai compactuar com isso, de início. Dentro das proporções, cada lugar que passa é ter esse entendimento, sem perder o que é inegociável. O que é producente, eficiente para o jogo e para o ambiente? E se eu tiver, dentro do que é inegociável, o que eu consigo fazer de ajuste. Para poder ter o resultado. Em clube grande você precisa ganhar jogo toda hora. Eu vivenciei isso, de forma secundária, com o (Paulo) Pezzolano no Cruzeiro, no estadual e na Série B. Vi um pouco no Athletico com o Tiago (Nunes). Acredito que essa é a pauta, a questão de ter mais entendimento do jogo, de forma geral.
Fases opostas
O fato novo para o próximo embate é que as fases agora são opostas. Embora lute pela classificação na Conmebol Libertadores, o Mirassol não faz um bom Campeonato Brasileiro, no qual ocupa a 18ª posição, com nove pontos, e vem de derrota para o São Paulo por 1 a 0.
Já o Corinthians ainda não perdeu com Fernando Diniz no comando: em sete partidas, foram cinco vitórias e dois empates. O Timão lidera a chave na Libertadores e "pegou o elevador" no Brasileirão, subindo para a 14ª colocação, com 15 pontos, após a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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