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Acordo UE-Mercosul: por que o Brasil é o centro da relação entre os dois blocos

Acordo entre Mercosul e União Europeia revela uma relação assimétrica: o Brasil fornece energia e alimentos, enquanto depende da tecnologia europeia — e concentra o peso do bloco sul-americano.

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A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, neste sábado (17), vai aproximar cadeias produtivas estratégicas de dois continentes, ao mesmo tempo em que evidencia uma relação econômica assimétrica — em que o Brasil ocupa posição central dentro do tratado.

 

  • 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações.

 

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De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.(entenda mais abaixo)

Com esse desenho, Argentina, Uruguai e Paraguai tendem a ocupar uma posição secundária na dinâmica do acordo. Ainda que integrem oficialmente o Mercosul, a menor escala de suas trocas comerciais faz com que a UE conduza a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil.

De quem o Brasil depende

 

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as compras brasileiras junto ao bloco europeu estão concentradas em poucos parceiros. Em 2025, três países responderam, juntos, por cerca de 57% dos US$ 50,3 bilhões que o Brasil importou da UE.

 

  • Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%);
  • França: US$ 7,2 bilhões (14,3%);
  • Itália: US$ 7,1 bilhões (14%).

 

A composição das importações brasileiras evidencia uma dependência concentrada em bens de maior valor tecnológico, essenciais tanto para o funcionamento de serviços públicos quanto para a atividade industrial.

Sendo eles:

 

  • 💊 Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões.
  • 🚗 Autopeças: US$ 2,5 bilhões.
  • ⚙️ Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões.
  • ✈️ Aeronaves: US$ 1,2 bilhão.
  • 📐 Equipamentos de medição, verificação e controle: US$ 1,4 bilhão.
  • 🧪 Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão.

 

José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria, ressalta que a retirada das tarifas tende a reduzir os custos de produção no Brasil ao baratear a importação de insumos da UE. Segundo ele, hoje a tributação eleva de forma significativa o preço final pago pelo produtor brasileiro.

 

“Em alguns casos, o produto chega a pagar 35% ou 40% sobre o valor. Um insumo que custa R$ 100 mil pode chegar a R$ 140 mil na mão do produtor. Com a retirada das tarifas, esse mesmo fertilizante poderia chegar por algo em torno de R$ 100 mil.”

 

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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