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Como avião fabricado na extinta União Soviética foi parar no interior de SP e virou sucata após 20 anos

Aeronave com capacidade para 40 passageiros foi apreendido pela Receita Federal no início dos anos 2000 e está deteriorado. USP ganhou direito de uso da aeronave, mas não tem recursos para remoção, segundo professor da universidade

Como avião fabricado na extinta União Soviética foi parar no interior de SP e virou sucata após 20 anos
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Um avião de pequeno porte fabricado nos anos 1960 na extinta União Soviética e apontado por especialistas como único no Brasil, está abandonado há mais de 20 anos em uma área dentro do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto( SP).

🔎A União Soviética foi um grande bloco de países formado como um dos desdobramentos do fim da Revolução Russa, que existiu entre a década de 1920 e o início dos anos 1990 e se tornou o principal rival geopolítico e militar dos EUA na chamada 'Guerra Fria'.

Utilizada por um clube náutico de Belo Horizonte (MG) para voos fretados de associados pelo Brasil entre 2001 e 2002, a aeronave foi apreendida em 2002 após um pouso de emergência no interior de São Paulo por descumprimento de normas para o transporte no país e, desde então, nunca mais foi retirada da cidade.

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O avião foi destinado pelo governo federal em 2007 à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, para fins educacionais, mas nunca foi retirado devido ao alto custo, segundo James Rojas Waterhouse, professor de engenharia aeronáutica da USP São Carlos.

Segundo ele, a operação para transportar a aeronave até a universidade custaria entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, já que seria necessário desmontar o avião. O objetivo seria utilizar a estrutura em aulas práticas, mas as peças estão em situação precária, destruídas pelo tempo.

“Hoje não é viável comercialmente, economicamente, até porque o avião está bem degradado. Segundo, que esse é um avião, é um exemplar único no Brasil, então não têm mecânicos que conheçam esse avião, não têm peças de reposição, ou seja, seria muito difícil colocar um avião desse em estado aeronavegável", diz.

 

 

Como avião soviético foi parar no interior de São Paulo

 

O jato modelo Yakovlev Yak-40 tem capacidade para 40 passageiros, autonomia de três horas de voo e foi muito utilizado na extinta União Soviética para o transporte regional de passageiros. "Ele é uma espécie de laboratório vivo para mostrar aos alunos tanto turbinas quanto sistemas hidráulicos", diz Waterhouse.

Em 2001, a aeronave foi adquirida de São Tomé e Príncipe, no continente africano, por um clube náutico de Belo Horizonte. Com ele, a entidade operou até 2002 voos para destinos como Búzios (RJ) e Foz do Iguaçu (PR) com a matrícula estrangeira "Sierra 9 Bravo Alfa Papa", referente ao país onde estava inscrito até então.

Em agosto de 2002, em uma dessas viagens, o avião fez um pouso não programado em Ribeirão Preto, ocasião em que o antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) identificou irregularidades, o que resultaria na apreensão definitiva pela Receita Federal.

O motivo alegado foi o descumprimento de normas que permitiam o exercício de transporte em território nacional.

Em 2007, após a apreensão, a Receita Federal determinou a destinação do jato à Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, mas a questão ficou pendente até 2014, porque os donos do avião tentaram reaver o bem na Justiça.

A decisão final foi favorável ao clube, que ganhou o direito a uma indenização, porque a Justiça considerou irregular a ação de apreensão. A reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, tentou falar com um advogado do clube, mas não conseguiu fazer contato na terça-feira (21).

Mesmo com a possibilidade de ser utilizada pela USP de São Carlos, a aeronave permanece há mais de 20 anos em uma área atrás da base do Corpo de Bombeiros, no Aeroporto Leite Lopes e teve a estrutura desgastada pela exposição e pela ação do tempo, perdendo valor comercial.

 

"Ele precisa primeiro ser desmontado para depois poder ser embalado para transporte. A desmontagem, a embalagem de um avião desse e o transporte não é uma tarefa simples tampouco barata. A Universidade de São Paulo não tem recursos pra fazer um projeto desse tamanho. Estamos buscando já faz bastante tempo, mas até agora não logramos êxito em conseguir recursos para fazer essa transferência para o campus da universidade", afirma Waterhouse.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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