A Câmara Municipal de Osasco, por meio das Comissões Permanentes de Saúde e Assistência Social e da Comissão do Idoso, do Aposentado, do Pensionista e das Pessoas com Deficiência, realizou na noite desta quinta-feira (2) uma Audiência Pública com o tema “Violência contra os Profissionais de Saúde”.
A violência contra trabalhadores da área é uma realidade grave e crescente no Brasil, envolvendo agressões verbais, psicológicas e físicas por parte de pacientes e acompanhantes. O debate foi proposto pelo vereador Ralfi Silva (Republicanos), presidente da audiência, em reunião com representantes da enfermagem que atuam em hospitais, prontos-socorros e unidades básicas de saúde da cidade.
“Osasco dá passos importantes para promover segurança a seus profissionais da saúde, começando com a instalação das câmeras de reconhecimento facial. Precisamos, sim, tomar medidas, e espero que Osasco sirva de exemplo para todas as cidades do país”, destacou Ralfi, citando também a previsão de implantação do botão do pânico nas unidades de saúde a partir de 2026.
A secretária-adjunta de Saúde, Suzete Franco, ressaltou que o período pós-pandemia agravou a situação.
“Vivemos em uma sociedade imediatista, que esquece os reflexos da pandemia ainda presentes no nosso dia a dia. O maior desafio são as relações interpessoais: encontramos impaciência e intolerância. Já promovemos debates sobre o tema”, afirmou, defendendo protagonismo e união dos servidores da saúde no enfrentamento à violência.
Representando a Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem, Rubens Vitor da Silva apontou a necessidade de maior valorização da categoria.
“Durante os estágios, já sentimos a violência. Precisamos de políticas públicas que valorizem a enfermagem. Não dá para trabalhar 12 horas de plantão e sair com um olho roxo. Não é apenas uma questão de segurança pública, mas também de investimentos”, frisou.
O comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), Erivan Gomes, lembrou que a falta de empatia, acentuada após a pandemia, tem resultado em episódios de violência. Ele informou que a GCM intensificou as rondas nas unidades de saúde, principalmente nos plantões noturnos, garantindo apoio direto em casos de emergência.
O vereador Gabriel Saúde (Agir), que já atuou na rede municipal, defendeu campanhas educativas, aumento da segurança e valorização dos servidores como estratégias de enfrentamento.
“Proteger os servidores da saúde é proteger a vida e a dignidade de toda a comunidade”, afirmou.
O secretário de Segurança e Controle Urbano, coronel José Virgolino de Oliveira, reforçou a importância da integração entre as pastas de Saúde e Segurança, e anunciou que, em até três meses, todas as unidades de saúde de Osasco terão câmeras de reconhecimento facial criminal.
“Estamos caminhando também para a integração do sistema Monitora Oz. Teremos um sistema em que pessoas que têm câmeras também possam ter acesso, ampliando o monitoramento na cidade. E temos que considerar que falta ética, respeito e moral nas pessoas, infelizmente, há muita falta de respeito”, declarou.
O secretário municipal de Saúde, Fernando Machado, defendeu medidas preventivas, com foco em educação continuada e fortalecimento das relações humanas.
O presidente do Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo), Sérgio Cleto, encerrou as falas da mesa, lembrando que a enfermagem representa 60% da força de trabalho do SUS e que a violência atinge a categoria de forma alarmante.
“Só em Osasco são mais de 10 mil profissionais da enfermagem. Oito em cada dez sofrem algum tipo de agressão, não apenas na rede pública, mas também na privada e no atendimento autônomo. Hoje, nenhum trabalhador merece ser agredido em sua atividade. Não pedimos privilégios, pedimos respeito”, afirmou, defendendo políticas públicas efetivas.
Os vereadores Laércio Mendonça (PDT) e Batista Comunidade (Avante) também prestigiaram a audiência, que contou com a participação do público em uma rodada final de perguntas e respostas.
Fonte/Créditos: Câmara Municipal de Osasco
Créditos (Imagem de capa): Câmara Municipal de Osasco

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