A temporada de 2022 foi quase um déjà vu para os torcedores do Santos. Assim como no ano passado, o clube voltou a enfrentar um ano com problemas em campo, risco de rebaixamento, crises e constantes trocas de técnicos.
Como no filme "Feitiço do Tempo", em que o protagonista é forçado a reviver o mesmo dia por vezes sem fim, o Peixe em campo parecia não ter deixado 2021 para trás.
O time se livrou da queda no Campeonato Paulista na última rodada, um treinador demitido antes do fim do estadual, apostou em um técnico estrangeiro, o executivo de futebol foi demitido, passou por uma queda precoce em uma competição continental e seguiu apostando em contratações de baixo custo para sobreviver na temporada.
Poucas coisas foram diferentes. A campanha no Campeonato Brasileiro, por exemplo, foi menos sofrível. O Santos não esteve em nenhum momento realmente ameaçado pelo rebaixamento. O final, porém, foi pior. Enquanto em 2021, o Peixe somou 50 pontos, na 10ª colocação, em 2022, o time terminou na 12ª posição, com 47 pontos.
Fora das quatro linhas, a gestão Andres Rueda continuou com uma política de austeridade e o foco em sanar as dívidas mais urgentes. O clube termina com a promessa de viver uma realidade diferente em 2023, com menos débitos e maior poder de investimento.
Além disso, o Santos deu passos importantes rumo à modernização. Primeiro, com a aprovação de um novo estatuto, que prevê mudanças importantes para o futuro do Peixe, como a regularização para a possibilidade da implementação de uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), a diminuição pela metade do número de conselheiros eleitos e também a redução de membros do Comitê de Gestão. Depois, com a assembleia que chancelou a parceria com a WTorre para a construção da nova Vila Belmiro.
Relembre momentos importantes do Santos em 2022:
- Luta contra o rebaixamento no Paulistão
Assim como em 2021, o Santos lutou até a última rodada para escapar da queda no Campeonato Paulista. A primeira crise do ano demorou apenas dois meses para acontecer. Motivada, principalmente, pela irregularidade do time em campo e pelos maus resultados em casa.
Dentro da Vila Belmiro, o Peixe acabou sendo derrotado pelo Botafogo-SP, empatou com o São Bernardo, sofreu para vencer o Ituano, foi goleado pelo São Paulo e empatou com o Grêmio Novorizontino sofrendo dois gols do pior ataque da competição, que havia balançado a rede apenas uma vez em oito jogos.
O pior momento foi em 17 de fevereiro, ainda na 9ª rodada do estadual. O Santos foi derrotado pelo Mirassol por 3 a 2, em um jogo que foi para o intervalo perdendo por 3 a 0. O resultado selou o destino do técnico Fábio Carille, que acabou demitido. Em seu lugar, foi contratado o argentino Fábian Bustos, que assumiu o time na reta final. O alívio veio na última rodada, quando o Peixe bateu o Água Santa por 3 a 2, na Vila Belmiro.
- Eliminação na Copa Sul-Americana
A Copa Sul-Americana não foi tratada como prioridade pelo técnico Fabián Bustos, que preferiu utilizar times com muitos reservas nas partidas da competição, enquanto os titulares focavam no Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Porém, com a iminente eliminação na Copa do Brasil para o Corinthians, o torneio começou a ser visto como uma opção que poderia render financeiramente ao clube, além de garantir uma vaga na Copa Libertadores da América.
A queda veio nas oitavas de final para o Deportivo Táchira, da Venezuela, dentro da Vila Belmiro. Foi a primeira vez que uma equipe brasileira acabou eliminada por uma venezuelana dentro de uma competição continental. A derrota veio nos pênaltis. Já bastante questionado pela torcida, Ricardo Goulart entrou em campo só para as penalidades, e acabou desperdiçando a primeira cobrança. Lucas Barbosa também errou.
Com o apito final, a torcida santista se revoltou e tentou invadir o vestiário do Santos. Uma placa que fica acima de uma porta que dá acesso ao local foi arrancada. Também houve conflito com policiais militares. A situação se tornou insustentável para os profissionais que comandavam o futebol do clube. Edu Dracena pediu demissão do cargo de executivo. Já o técnico Fabián Bustos foi demitido.
- Queda na Copa do Brasil e invasão do gramado
Uma semana após a queda na Copa Sul-Americana, o Santos recebeu outro duro golpe no planejamento da temporada. Após perder o jogo de ida por 4 a 0, o Peixe precisava golear o Corinthians, na Vila Belmiro, para sonhar com uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. Porém, o Peixe venceu só por 1 a 0 e deu adeus ao torneio
A torcida já estava insatisfeita com o desempenho do time em campo e a forma como a gestão do futebol era conduzida, além de estar machucada pela eliminação na Sul-Americana. A queda na Copa do Brasil dentro de casa para um rival desencadeou um grande tumulto na Vila Belmiro. Ainda no segundo tempo, bombas foram atiradas no gramado na direção do goleiro Cássio, do Corinthians. Sinalizadores foram acesos nas arquibancadas e alguns deles atirados no campo. O artefato é proibido dentro de estádios.
Com o apito final, alguns torcedores invadiram o gramado e tentaram agredir jogadores do Corinthians. O atacante Marcos Leonardo evitou que Cássio fosse agredido pelas costas. O clima de tensão permaneceu no gramado e torcedores acabaram sendo detidos. Fora do estádio, houve mais protestos e gritos de cobrança ao presidente Andres Rueda.
No mesmo dia, o Santos já havia anunciado Newton Drummond como o novo executivo de futebol. Poucos dias após a confusão na Copa do Brasil, o Peixe acelerou o processo de escolha de um treinador e acertou com Lisca, que estava no Sport. Pelo tumulto, o Peixe acabou punido pelo STJD e terá que disputar duas partidas como mandante na Copa do Brasil de 2023 com portões fechados.
- Trocas constantes de técnicos
As mudanças no comando do time continuam sendo uma constante dentro do Santos. Se em 2021 quatro técnicos passaram pelo Peixe, neste ano, foram cinco treinadores diferentes entre efetivos e interinos.
O ano começou com Fábio Carille, que teve o contrato renovado no fim de 2021 após livrar o Santos do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Porém, a oscilação do time em campo ainda no Campeonato Paulista pesou. A relação entre treinador e o executivo de futebol Edu Dracena também não era das melhores. Ao todo, Carille comandou o Santos em 27 partidas, com nove vitórias, 10 empates e oito derrotas.
Uma semana após a demissão de Carille, o clube anunciou o argentino Fabián Bustos, que estava no Barcelona de Guayaquil, do Equador. Pelo quarto ano seguido, o Santos apostava em um estrangeiro. Antes passaram pelo time Jorge Sampaoli (2019), Jesualdo Ferreira (2020) e Ariel Holan (2021).
Apesar de um início promissor, onde o Peixe chegou até a liderar o Campeonato Brasileiro e avançou na terceira fase da Copa do Brasil com uma goleada sobre o Coritiba, o trabalho de Bustos entrou em queda. Em diversos momentos, o treinador se viu prejudicado pela arbitragem. Não eram poucas as vezes em que o técnico recordava os possíveis pontos perdidos por decisões anuladas pelo árbitro de vídeo.
A campanha mediana no Brasileirão, a goleada para o Corinthians no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil e a eliminação para o modesto Deportivo Táchira na Copa Sul-Americana marcaram o fim da passagem do treinador. Ele comandou o time em 28 partidas: oito vitórias, 12 empates e nove derrotas.
Duas semanas após a saída de Bustos, o Santos acertou com Lisca, que estava no Sport. Desde o início, a contratação gerou polêmica, com a torcida do time pernambucano protestando contra o treinador, que saiu de forma tumultuada pouco tempo após ser contratado.
A passagem de Lisca foi relâmpago pelo Peixe. Foram duas vitórias, três empates e três derrotas em oito partidas. O fraco desempenho do time em campo pesou na decisão. Contra o Cuiabá, a equipe praticamente não finalizou ao gol. Na sequência, acabou sendo derrotada em casa pelo Goiás. O último jogo do técnico pelo clube foi na derrota para o Ceará, que estava em um jejum de sete jogos consecutivos sem vitórias no Brasileirão.
Fonte/Créditos: Globo.com
Créditos (Imagem de capa): Globo.com
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