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Após morte, dono de academia pediu a manobrista que limpava piscina para ‘sair de casa’ por causa da polícia, diz depoimento

À polícia, funcionário contou que aprendeu a fazer a limpeza com o antigo manobrista. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após entrar na piscina para aula de natação; o quadro se agravou e evoluiu para parada cardíaca.

Após morte, dono de academia pediu a manobrista que limpava piscina para ‘sair de casa’ por causa da polícia, diz depoimento
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O manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina em que a aluna de natação Juliana Faustino Bassetto morreudisse à polícia que o proprietário do local ligou para ele no domingo (8) e o alertou sobre as investigações: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”.

O funcionário afirmou à polícia que, assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal no sábado (7), tentou entrar em contato com o dono do estabelecimento, que se chama Celso, mas não obteve resposta.

Segundo ele, o retorno só ocorreu às 14h11, quando a academia já havia sido esvaziada. Ao relatar o ocorrido, o proprietário, que se chama Celso, teria respondido apenas: “Paciência”. A ligação teria ocorrido às 10h30 do dia seguinte

A principal suspeita das autoridades é que amanipulação de produtos químicos próximo à área de aula pode ter afetado as pessoas, já que o espaço é fechado e tem pouca ventilação.

Após o depoimento, Severino falou rapidamente com a imprensa, ao lado da advogada.

 

"Tenho a declarar que sou funcionário da empresa, sigo ordens, e meu celular foi apreendido para averiguações. É isso que tenho para falar no momento.".

 

A defesa do sócio da academia não foi localizada até a última atualização da reportagem.

Sem preparo técnico e sem EPI

 

Ainda segundo o depoimento, obtido pela TV Globo, Severino trabalha há cerca de três anos na academia, com registro em carteira como manobrista, mas contou que também era responsável por abrir a unidade e realizar a manutenção das piscinas.

O acúmulo de funções era determinado por Celso, que orientava o uso de produtos químicos por mensagens, a partir de fotos enviadas com os testes da água.

À polícia, Severino afirmou que nunca recebeu treinamento, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos, apesar de realizar a manutenção rotineira da piscina. Disse ainda que essa falta de preparo era de conhecimento do proprietário.

Ele relatou que aprendeu o procedimento com o antigo manobrista da academia, que já executava a mesma função. A rotina consistia em medir os níveis da água, fotografar o resultado e enviar a imagem a Celso, que indicava quais produtos deveriam ser aplicados e em qual quantidade.

Água turva e aplicação de cloro

 

De acordo com o depoimento, na quinta-feira anterior ao incidente, Severino percebeu que a água da piscina estava turva e comunicou ao proprietário. Na sexta-feira, após a última aula de natação, recebeu ordem para aplicar apenas cloro na piscina grande.

No sábado, a água continuava com aparência turva. Mesmo com alunos dentro da piscina, Celso teria solicitado nova testagem e orientado a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60.

Severino afirmou que não chegou a despejar o produto diretamente na piscina. Segundo ele, preparou a solução em um balde com água da própria piscina, adicionou seis medidas de cloro e deixou o recipiente próximo à área da piscina, a cerca de dois metros da borda, antes de retornar ao trabalho como manobrista. Não há informação se alguém chegou a jogar o produto na piscina.

Cerca de dez minutos depois, o funcionário percebeu uma movimentação incomum na academia e sentiu forte cheiro de cloro. Ele relatou ter visto uma mulher sentada na recepção, amparada pelo marido, e um pai socorrendo o filho adolescente.

Os professores foram avisados e retiraram os alunos da piscina. O próprio Severino disse ter apresentado dificuldade respiratória e irritação na garganta e nos olhos.

Socorro e evacuação

 

Uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que passava pela rua foi acionada para ajudar no socorro. A recepcionista da academia fez ligações para o Samu e para o Corpo de Bombeiros, mas, segundo o depoimento, nenhuma viatura compareceu ao local, e as vítimas foram socorridas por meios próprios.

Após o atendimento, o funcionário retirou o balde com o produto químico da área da piscina e o levou para a área externa. A academia foi evacuada e fechada em seguida.

O manobrista reforçou que o único produto aplicado por ele foi o HIDROALL Hiperclor 60, adotado recentemente por decisão do proprietário, que afirmou estar testando um novo tipo de cloro. Antes, era utilizado outro produto.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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