Paciente tem 13 anos, diabetes tipo 1 e foi internado no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus nesta terça-feira (11). Ele não pôde tomar a vacina por estar se recuperando de uma cirurgia. Internações de menores de 18 anos na unidade passaram de uma em dezembro para 9 em janeiro.
O crescimento nas internações de pacientes com Covid-19 na cidade de São Paulo nos últimos dias atingiu também crianças e adolescentes. No Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na Bela Vista, o número de internados menores de 18 anos com Covid-19 aumentou de apenas uma por mês, em novembro e dezembro, para nove nos primeiros dez dias de janeiro.
O estudante Victor Fernando Vieira de Jesus, de 13 anos, foi admitido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital nesta terça-feira (11). Portador de diabetes tipo 1, ele é considerado paciente de risco para o coronavírus e não pôde receber a vacinação contra a doença nos últimos meses por orientação dos médicos do hospital, já que estava se recuperando de uma cirurgia.
Desempregada, a cozinheira Fabrícia Pereira tem 28 anos e é mãe de outras três crianças - todas com menos de 11 anos, ou seja, fora da faixa etária que já começou a receber a vacina contra Covid-19 no país. Para ela, o receio que alguns pais têm de autorizar a vacinação em seus filhos deveria ser substituído pelo medo de vê-los contrair a doença.
“Eu acho que a população tem que se conscientizar. Hoje eu vejo que o vírus está aí, que ele realmente existe porque ele bateu na minha porta, então a importância da vacina é muito grande”, disse.
“Se alguma família ainda estiver em dúvida eu diria: ‘Corre atrás, faz o que der para vacinar seus filhos’, porque uma criança na situação que meu filho está no momento não é fácil para mãe nenhuma”, completou.
Victor Fernando, de 13 anos, começou a se sentir mal no último domingo (9). Com sintomas como fadiga, febre, vômito e fraqueza, ele foi admitido no hospital com um quadro de cetoacidose, uma complicação aguda e grave da diabetes tipo 1. Na unidade, ele foi examinado e diagnosticado com coronavírus também.
Segundo Antônio Carlos Madeira de Arruda, diretor executivo do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, o número de crianças internadas com Covid-19 no hospital aumentou abruptamente em janeiro, ainda que o número absoluto ainda não seja “preocupante”.
De acordo com o médico, as crianças internadas têm, em sua maioria, comorbidades que podem agravar a evolução da doença. No geral, elas apresentam quadros leves, mas que exigem internação, e respondem de maneira positiva aos tratamentos. Em média, elas ficam internadas de 4 a 5 dias.
Para o diretor do hospital infantil, a vacinação de crianças com menos de 11 anos, que deve ser iniciada ainda neste mês, pode reduzir ainda mais os sintomas verificados em crianças que tiveram contato com o vírus, ou até mesmo eliminar a contaminação.
Moradora de Osasco, na Grande São Paulo, Fabrícia enfrenta quase duas horas de transporte público para fazer o tratamento do filho diabético no Hospital Menino Jesus.
"A minha preocupação maior é de ele se agravar mais por conta da diabetes. Em Osasco, o tratamento é muito difícil, até hoje ele está na fila de espera por endocrinologista e não conseguiu. Então ele só conseguiu ser tratado para diabetes aqui, e já teve muitas complicações", contou.
O número de pessoas internadas em leitos de UTI para a Covid saltou de 40, na terça (11), para 111 nesta quarta-feira (12) na cidade de São Paulo, de acordo com dados da prefeitura. .
A média total de novas internações, quando somados leitos de UTIs e enfermarias, subiu 30% na capital. Em 1º de janeiro, eram 237 pacientes. Na terça-feira (11), 309.
O aumento no número de casos tem feito a prefeitura voltar a destinar leitos exclusivos para Covid-19, já que os casos aumentaram, e os leitos diminuíram nos últimos meses. Especialistas dizem, no entanto, que abrir leitos pode não controlar a pandemia, além de não ser suficiente, visto que há muitos profissionais de saúde infectados e afastados do trabalho.
A prefeitura diz que acompanha a evolução da pandemia e está preparada para ampliar as vagas se necessário, de acordo com Luiz Carlos Zamarco, secretário-adjunto da Secretaria municipal da Saúde de São Paulo.
“Na segunda onda, nós conseguimos virar um hospital inteiro em 24 horas. Hoje, esses hospitais, todos esses, foram estruturados para esse tipo de atendimento. Estão atendendo outras patologias porque precisa. Mas se precisar pegar os pacientes e dividir as patologias por hospitais, conseguimos fazer isso em 24 horas”, afirma.
A infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Raquel Stucchi explica que é preciso monitorar os números de perto e agir rápido, o que nem sempre é uma tarefa fácil.
“Caso haja realmente algo que fuja do controle e uma explosão maior até do que vimos nos outros países, as medidas que nós já aprendemos terão que ser tomadas. Mas tem outra dificuldade. Não basta abrir o número de leitos. Nós temos um percentual de profissionais afastados muito grande. Então, eu posso até abrir novos leitos, mas sem gente para atender aos pacientes”, afirma.
Além disso, não controlar a expansão da doença também pode atrapalhar no tratamento de outros casos, de acordo com Stucchi.
“Acidente, por exemplo, não tem muito como a gente evitar e se esquivar de ter leitos para os acidentados. Mas as outras patologias, com certeza, os procedimentos serão adiados mais uma vez. Pacientes aguardando há mais de dois anos, muitos deles, e terão mais um adiamento por quatro, seis, ou oito semanas, no mínimo. O que traz grande preocupação, já que a expectativa de tratamento e cura de outras doenças se dilui ou até se perde com o adiamento desses procedimentos".
Fonte/Créditos: globo.com
Créditos (Imagem de capa): globo.com


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