O Rio de Janeiro pode viver uma situação política incomum em 2026: a escolha de dois governadores no mesmo ano. O cenário passa pela possível renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que precisa deixar o cargo até o início de abril caso queira concorrer ao Senado nas eleições de outubro.
Se Castro sair, o estado não terá quem assuma automaticamente o comando do Executivo e, por isso, a legislação prevê a realização de uma eleição indireta — feita pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) — para escolher um governador-tampão, que ficaria no cargo até janeiro de 2027.
Por que haveria uma eleição indireta?
A eventual eleição indireta ocorre por uma combinação de fatores:
- O Rio está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE);
- O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar(União Brasil) — segundo na linha sucessória — está afastado do cargo e do comando da Casa após uma operação da Polícia Federal;
- Com isso, o próximo na linha de sucessão é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, que assumiria interinamente o governo apenas para convocar e conduzir a eleição indireta, como determina a lei estadual.
A eleição seria feita pelos deputados estaduais, que escolheriam quem governará o estado até o fim do mandato atual, em janeiro de 2027, quando assume o governador eleito pelo voto direto, nas eleições de outubro.
O que é o governador-tampão?
O chamado governador-tampão é um chefe do Executivo escolhido de forma provisória para completar o mandato em curso. No caso do Rio, esse governador não seria eleito pelo voto direto da população, mas sim pelos deputados da Alerj.
Mesmo sendo temporário, o cargo tem peso político relevante, já que o ocupante comandaria a máquina estadual durante a campanha eleitoral de outubro.
Disputa política nos bastidores
A possibilidade de um mandato-tampão já movimenta os bastidores da política fluminense, como explicou o Blog do Octavio Guedes.
De um lado, o PT estuda lançar o secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, ex-presidente da Alerj entre 2019 e 2023. O partido avalia que Ceciliano tem forte influência sobre os deputados estaduais — justamente os responsáveis pela eleição indireta.
O blog apurou que o PT vê o controle do governo do estado como estratégico para fortalecer o palanque do presidente Lula (PT) no Rio e também como forma de pressão política sobre o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), que já confirmou a pré-candidatura ao governo estadual.
Segundo aliados, o partido acredita que Paes, que precisará buscar votos no interior do estado — mais conservador —, evitará se vincular diretamente a Lula durante a campanha.
Paes x Ceciliano
Na segunda-feira (19), Eduardo Paes disse que vai apoiar Lula, mas que não descarta alianças locais com políticos que se oponham ao presidente.
O prefeito também fez ataques a Ceciliano, o vinculando a práticas do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, afastado no ano passado após uma operação da Polícia Federal.
Ceciliano rebateu. Classificou a declaração de Paes como uma "fala nervosinha" – em referência ao suposto apelido do prefeito nas planilhas da Lava Jato – e disse que nunca se colocou como candidato ao governo-tampão.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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