O técnico Mano Menezes aproveitou o fim da coletiva de imprensa, após o jogo de ida da final do Carioca entre Fluminense e Flamengo, para rebater a provocação do atacante Luiz Araújo, do Flamengo. O jogador mostrou uma tatuagem da taça da Copa do Brasil após discutir com o treinador. Mano rebateu:
— Eu tenho três, não mostrei. Esqueci. Não fui atrás — disse, ao fazer referência às conquistas com o Corinthians, em 2009, e Cruzeiro, em 2017 e 2018.
- Uma provocação incendiou uma coisa desnecessária. Veja como isso pode acarretar problema. Perdemos um jogador que foi lá, dois ou três no banco de reservas. E a pessoa que iniciou tudo o árbitro foi lá abraçar ele, acalmou e tirou ele de lá (...). É o cuidado que temos de tomar, senão daqui a pouco os outros vão pagar a conta e a pessoa que provocou vai sair ilesa. Acho injusto - completou.
No jogo desta quarta, o Fluminenseperdeu por 2 a 1, mas se mantém vivo na briga pelo título, que será definido no próximo domingo. Antes de responder o rival, o treinador avaliou o resultado e a atuação tricolor.
— Pensamos que a decisão está aberta. Vamos para o segundo jogo pensando que temos capacidade de brigar pela conquista do título.
— Eles têm muita qualidade. Sofremos um gol inesperado no início de jogo, em uma bola que a gente sabe que não estamos acostumados a tomar. Depois, tivemos duas chances boas. Tivemos uma bola no poste do Arias. Voltamos no segundo tempo e a equipe não voltou bem. Subiu errado e deixou um espaço muito grande. Fábio tinha feito uma grande defesa e, em uma saída de bola, tomamos o gol. Tivemos poder de reação no final. Temos que ter coragem, temos que arriscar. A equipe mostrou esse brio - disse Mano, em sua primeira resposta na coletiva de imprensa.
Como relatado pelo treinador, Flamengo saiu na frente com gols de Wesley e Juninho, mas Keno entrou no segundo tempo e fez o gol do desconto. No fim, o jogo foi marcado por uma confusão envolvendo inicialmente Luiz Araújo e Mano Menezes. O treinador deu a sua versão.
— Houve uma provocação quando nós sofremos o segundo gol. Alguém (Luiz Araújo) passou provocando na frente do banco e isso foi o estopim da confusão. O resto é consequência. O Freytes foi citado na súmula.
Mano também pontuou a atuação do árbitro, que permitiu chegadas em Arias e comentou a falta de punição.
— O árbitro do jogo deve proteger o talento. E quando alguém está batendo demais, tem que ser punido. Mas a diferença da punição foi nítida para os dois lados. Não foi determinante para o resultado do jogo, mas contribuiu para inibir um jogador importante e com capacidade de criação, que foi o Arias. Ele vai estar inteiro no domingo, vai continuar dando trabalho. Espero que o (Bruno) Arleu, que é um árbitro Fifa, de ponta, tenha mais capacidade de coibir qualquer lado que tenta exagerar com faltas para parar o adversário.
O Flu sai em desvantagem para o duelo que decide a taça. Para conquistar o título no tempo normal tem que vencer por dois gols de diferença. Caso vença com saldo de apenas um gol, a decisão será nos pênaltis.
O jogo decisivo será próximo domingo (16), também no Maracanã, às 16h.
Análise do jogo
— Achei o jogo, nos aspectos, relativamente parelho. Um pouco melhor para o Flamengo. Conclusões muito próximas, eles com uma a mais que a gente. Se desenhou um jogo mais brigado, mais disputado. Quando a gente fez as coisas certas, conseguimos estar perto de pressioná-los, que sempre é o caminho para se construir um resultado positivo contra o Flamengo.
— Eles têm muita qualidade. Sofremos um gol inesperado no início de jogo, numa bola que a gente sabe que não estamos acostumado a tomar. Depois, tivemos duas chances boas. Tivemos uma bola no poste do Arias. Voltamos no segundo tempo e a equipe não voltou bem. Subiu errado e deixou um espaço muito grande. Fábio tinha feito uma grande defesa e, numa saída de bola, tomamos o gol. Tivemos poder de reação no final. Temos que ter coragem, temos que arriscar. A equipe mostrou esse brio. Pensamos que a decisão está aberta. Vamos para o segundo jogo pensando que temos capacidade de brigar pela conquista do título.
Provocação e confusão no fim do jogo
— Houve uma provocação quando nós sofremos o segundo gol. Alguém (Luiz Araújo) passou provocando na frente do banco e isso foi o estopim da confusão. O resto é consequência. O Freytes foi citado na súmula porque se sentiu como todo argentino se sente. Nós somos mais passivos, eles não. Temos de saber ganhar e perder. Quando ganha tem que ter grandeza para respeitar para que as coisas terminem bem. Que o jogo seja o ator principal de tudo. É o que queremos para domingo também.
Faltas em Arias
— O que a gente sabe sobre ser visado é que o árbitro do jogo deve proteger o talento. E quando alguém está batendo demais, tem que ser punido. Mas a diferença da punição foi nítida para os dois lados. Não foi determinante para o resultado do jogo, mas contribuiu para inibir um jogador importante e com capacidade de criação, que foi o Arias. Ele vai estar inteiro no domingo, vai continuar dando trabalho. Espero que o (Bruno) Arleu, que é um árbitro Fifa, de ponta, tenha mais capacidade de coibir qualquer lado que tenta exagerar com faltas para parar o adversário.
O que mudou da outra partida para essa?
— Flamengo teve Arrascaeta, De la Cruz, que não teve no outro jogo. São jogadores que agregam mais qualidade. Esteve mais móvel porque não tinha um homem fixo na frente, deu mais dificuldades para nós. E o fato de termos saído muito cedo atrás nos obrigou a subir a marcação se quiséssemos tentar retomar a bola na frente. Às vezes fizemos bem, outras não tão bem. Quando não fizemos bem, sofremos lá atrás.
— Não foram muitas para um jogo desse tamanho e com a qualidade e o poder ofensivo que as duas equipes têm. Não foram muitas oportunidades, está dentro do normal. Naquele dia fizemos a primeira parte boa e depois não mais. A diferença da posse de bola foi muito maior para o Flamengo do que foi hoje. Tem que cuidar com as análises para não cometermos um erro, especialmente da nossa parte. Porque um erro da análise dificulta a correção. Vamos ver algumas coisas nesses próximos dias e temos de saber fazer a leitura correta dos problemas que tivemos.
Faltou inversões de bola?
— O adversário tem ótimos batedores, a bola chega no lugar, eles trabalham com uma bola de primeiro pau enchendo bastante gente ali. Disputamos muito e não acho que tivemos problemas defensivos na bola parada. Acho que exageramos no toque curto para um time que quer e pressiona bem no setor da bola. Caminho que nós precisamos para encontrar as soluções passar por uma leitura melhor do que precisamos fazer e é o que vamos fazer nos próximos dias. Pensei que poderíamos ter feito melhor, sim, e não fizemos. Tanto que entregamos a bola do segundo gol em uma jogada como essa.
Fuentes
— Não temos ainda a avaliação final sobre o Fuentes, mas existe uma grande chance de não contarmos com ele no domingo. Pela primeira impressão e o exame superficial, é difícil que se recupere. Vamos fazer as escolhas que precisamos. Vamos ver se trocar um pelo outro é suficiente, se temos de encontrar outras soluções. Temos de estar preparados para tudo. Mas tenho confiança no Renê. Sempre jogou partidas grandes, entregou tudo. Não é a mesma característica, então temos de apresentar alternativas diferentes de jogar para tirar o melhor de cada um se a escolha for por ele.
Riquelme
— Achamos que o Riquelme é um jogador para entrar nos últimos minutos ou no último terço do jogo. Por uma diferença física significativa. Um jogador de 17 anos, e ele conseguiu entregar melhor nesses 30 minutos finais. Opção por ele porque acho que estávamos muito na lateral, longe, engessado. Muito fácil de ser lido. Ao colocar Riquelme, que é talentoso, se aproxima e tem drible, era o melhor para a equipe.
— Ele entrou bem, ajudou a ter a reação final para fazer o gol e estar na disputa. Vamos considerar tudo isso para as escolhas da última parte. Mais importante do que entrar é entrar bem. Keno entrou bem, Canobbio se esforçou ao máximo, se entregou. Entrar fresco naquela hora já ajuda, com outra característica. Quando perdemos o meio-campo colocamos o Hércules para sustentar de novo e entrar no jogo novamente e depois colocar um meia. Precisava de um pouco de força, levamos três ou quatro contra-ataques perigosos. Fechar primeiro, estancar a sangria para depois atacar. Foi a escolha que fizemos para melhorar o que estava acontecendo.
Saída do Cano
— Não aconteceu nada. Foi escolha. Cano já estava com um cartão amarelo e quase colocou a mão na bola no lance anterior. Como com a gente tudo é rigoroso, tenho que cuidar. Senão perdemos um jogador e piora a situação. Coloquei o Everaldo, que é um jogador de disputa física.
Importância do gol do Keno
— A vida de 40 anos de bola, um pouco menos, fez a gente passar por muitas situações como essa. Já tive gol aos 38 e estava 3 a 0 para o adversário. E conquistamos. Mudaram os adversários, sabemos com quem estamos jogando. Não vamos ficar cantando que isso vai acontecer, mas abre a possibilidade. Futebol é assim. Vamos estar fortes para brigar pelo título. O gol do Keno ajudou a nos reanimar e enxergar essa possibilidade como uma de título, que é o que queremos.
Provocação do Luiz Araújo
— Eu tenho três, não mostrei. Esqueci. Não fui atrás. Entrei em campo, cumprimentei as pessoas do Flamengo com quem me dou bem. Dei parabéns pela vitória. Com raras exceções sempre procuro reconhecer o que os outros fazem bem. Acho que o jogo estava transcorrendo normal. Uma provocação incendiou uma coisa desnecessária. Veja como isso pode acarretar problema. Perdemos um jogador que foi lá, dois ou três no banco de reservas. E a pessoa que iniciou tudo o árbitro foi lá abraçar ele, acalmou e tirou ele de lá.
— Falta sensibilidade às vezes de entender que esse tipo de situação é que precisa ser coibida. Não é possível que todos estejam errados e a pessoa que fez esteja certa. Aí está tudo de ponta cabeça. Disse ao Yuri no momento do lance, quando estava acontecendo, a minha visão. É o cuidado que temos de tomar, senão daqui a pouco os outros vão pagar a conta e a pessoa que provocou vai sair ilesa. Acho injusto.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Google
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